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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

AS AVENTURAS DE BHIMA NA TERRA DOS HOMENS: UM MUITO NECESSÁRIO DESCANSO - 16.1


AS AVENTURAS DE BHIMA NA TERRA DOS HOMENS: UM MUITO NECESSÁRIO DESCANSO - 16.1

NEUZA MACHADO

E eis que, naquelle dia,
o Bhima Viajante resolveu afastar-se,
por uns dias,
de sua função
de Vigilante Intergalático
do Supremo Senhor,
para desfrutar
de um muito necessário descanso.

Em nome da pura
e mais chocante verdade!,
o facto era que o Mundo dos Homens,
naquelle anno de 2003,
estava a pegar fogo,
um fogaréu crepitante,

guerras e mais guerras
por todos os lados,
violentíssimas disputas
ocorrendo entre Irmãos
na Terra e no Céu,
muitos tristes episódios
acontecendo
em cada Cantinho
do Mundo de Deus,
e todos esses factos
necessitando
de um escritor intergalático,
para levá-los ao conhecimento
do Supremo Senhor.

O facto era que o Sentinela
Escrivinhador do Espaço Sideral
já estava cansado de assistir
a tanta violência,
ou do alto de sua Vimana
Maravilhosa Bacana,
por meio de seu Binóculo Mágico,
ou pelas telas do aparelho televisão,
invenção dos Humanos,
e, mais ainda,
pelo facto de ter de olhar
os bélicos acontecimentos
sempre de longe,
sem nunca poder
socorrer os feridos,
uma vez que a sua função
era apenas a de observador
e anotador,
nada mais do que isto.

No entanto,
mesmo reconhecendo
a sua pouca contribuição
para a Paz entre os Homens,
pelo menos ficava a saber
das guerrinhas do Mundo Rotundo
dos Homens Sem-Rumo.

Mas, eis que, naquelle dia,
o Bhima resolveu afastar-se
das visões das Contendas,
e recolheu-se, por uns dias,
em sua Concha de Luz.

Quomodo sempre,
o lugar escolhido,
para o necessário repouso,
foi aquele Tal Alto de Serra
das Minas Gerais.

No pico mais alto de uma
montanha arborizada,
o Bhima estacionou
a sua Vimana Bacana
Esplendorosa Brilhante Voadora,
de uma forma que poderia avistar
uma boa parte da região
da Zona da Mata Mineira,
sem ter de sair de sua comodidade.

Ali, entre as maiores
maravilhas das maravilhas,
o precioso silêncio imperava.

As flores se multiplicavam
alegres e coloridas.

Os passarinhos
faziam seus ninhos
nas frondosas árvores.

As ditas árvores balouçavam
suas frondosas copas.

E tudo era muito verde
e grandioso
ao redor da Vimana.

Extasiado com tanta beleza,
primeiramente,
ele se ocupou em arrumar,
com muito esmero e dedicação,
o interior de sua Casinha Voadora
de Beleza Sem-Par.

Limpou-a com muito cuidado,
atento a cada cantinho,
retirando toda a sujeira,
lavando os ladrilhos
com a pura água borbulhante
das fontes
do Divino Espírito Santo
de Bellíssimos Horizontes.

Ah!, é bom que lhe diga também
que o Bhima
sempre fora
muito caprichoso
com o seu corpinho
de Extra-Terrestre
Bonitinho
Charmoso,
e com a sua
Casinha Voadora
Tão Acolhedora.

Este capricho,
à moda dos Humanos,
fora adquirido
desde o tempo
em que ele
se materializara na Terra,
por uns tempos,
nascendo quomodo filho
da Rainha Kunti Querida,
na Índia Antiga Florida.

Na infância, ele aprendera
com seu pai adotivo,
o Rei Pandu,
que a limpeza de uma moradia
somada à limpeza do corpo
é o primeiro sinal
que valoriza um Homem
diante de outros Homens.

O Solitariozinho
já não era mais visto
pelos Humanos,
mas conservara o hábito
de sempre limpar
a sua Vimana-Casa Voadora,
assim quomodo tomava
seu banho refrescante,
diariamente,
usando os mais
perfumados sabonetes
conhecidos
pelos Habitantes da Terra
do Ocidente e Oriente.

Ele era um Extra-Terrestre,
é verdade!,
mas possuía um segredinho,
só do conhecimento dele,
para comprar
nas Grandes Lojas
das Cidades Terráqueas
os objetos de consumo
próprios da Humanidade Consumista,
sem que fosse reconhecido
quomodo
um ser de outro Planeta.

Em verdade,
três vezes!!! verdadeira!,
o Bhima,
naquelles últimos Annos
do Segundo Milênio,
adquirira o hábito
do consumismo,
aquele péssimo hábito
de angustiosa demência,
instigado pelos
Grandes Capitalistas,
o que levava
a maior parte
da Massa Humana
à falência.

As Máquinas de Propaganda
anunciavam
os mais disparatados produtos,
as mais disparatadas invenções,
louvando e enaltecendo
as qualidades dos ditos produtos,
e, com isto, induziam a massa
(os despreparados viventes)
ao consumo desenfreado.

Era um tal de comprar e comprar e comprar
e nunca parar de comprar!
As propagandas instigavam
cada ser humano
a se encarregar de encher sua casa
de objetos sem utilidade,
os quais só serviam
para entupi-la de cacarecos,
e, em consequência,
obrigando o comprador
a gastar o suado Talentinho
com compras desnecessárias.

E o Bhima já estava indo
pelo mesmo caminho!,
ele gostava de comprar
quomodo fosse também um mortal.

A única diferença era que,
quando percebia que a sua Vimana
já estava a se tornar
um saco de objetos sem uso,
colocava tudo em um lugar acessível,
certo de que os humanos
setenta vezes sete mais pobres
iriam, com certeza!,
aproveitar os tais objetos.

Fora isto mesmo que ele fizera,
quando daquella Invasão
dos Cupins Gigantes
nas terras do Marciano Guerreiro,
tá lembrado?
Um dono de terras velhinho,
Mas tão bom para com os seus
Colaboradores Braçais!

O Bhima,
depois da tragédia
ocorrida com o Marciano
e seus auxiliares,
se encarregara de os prover,
com roupas e alimentos,
até que se recuperassem
da devastação
e a Fazenda do Marciano
tornasse a florir.

Assim foi em outras Eras
(e ainda é!) o nosso Bhima!!!
Um bom Extra-Terrestre!!!
Um Solitário no Mundo Rotundo!!!

Os Humanos
ainda não o visualizaram,
mas ele se sente muito feliz,
feliz mesmo!!!,
por morar na Terra dos Homens
quomodo Sentinela
do Espaço Sideral Infinitesimal
a serviço do Supremo Senhor
de Poder Sem-Igual.

Mas, voltando ao relato sensato,
o Bhima sempre fora muito caprichoso
com a sua Vimana de Sonhos.
“E é tão gratificante viver
em uma Vimana Maravilhosa Limpinha!”,
pensava exclamativamente
o nosso Extra-Terrestre.

Por tudo isto,
antes de se recolher pensativamente,
arrumou com muito cuidado
a sua Vimana-Residência,
retirou toda a poeira da viagem,
sacudiu as cortinas das janelinhas,
trocou o lençol de sua caminha
azulada
flutuante,
lavou o banheiro,
limpou o vaso sanitário,
lavou as Varandas-Mirantes,
limpou a micro-cozinha,
colocou na geladeira
os legumes e frutas
comprados na Cidade
do Divino Espírito Santo,
organizou os cereais na despensa,
os cereais comprados também
em um grande SuperMercado
da mesma Cidade,
olhou com muita atenção as sacolas,
para ver se havia comprado
todos os alimentos e frutas
de sua preferência,
para que,
com esse cuidado todo,
não precisasse sair de seu refúgio,
naquella Altíssima Montanha.

E, antes de recolher-se,
apressou-se em cozinhar
uma bela quantidade
de feijão-amendoím,
o seu preferido,
com bastante toucinho de fumeiro
e linguiça-de-porco;
cozinhou também
uma boa quantidade de arroz japonês,
temperado com sal e alho fritado;
cozinhou chuchu com jiló
(uma delícia!);
preparou as verduras verdinhas
e tomates vermelhinhos;
caprichou em preparar
uma imensa jarra de laranjada dourada,
colocando-a na geladeira para gelar;
e atarefou-se com outros
cozimentos suculentos,
porque, em verdade,
planejava ficar
de papo-pro-ar
durante uma semana,
sem mais nem menos,
recolhido,
sem trabalhar quomodo Vigilante,
saboreando a farta refeição
que estava a fazer,
a qual foi distribuída
em potinhos plásticos,
logo após o término
dos cozimentos,
e, depois,
colocada no freezer Compact90,
e que daria para ele se alimentar
por uma semana,
quomodo o previsto,
sem que fosse preciso preocupar-se
com cozimentos diários.

É bom que você saiba que
o Bhima já estava acostumado
com a forma de vida
dos humanos.
Também pudera!
Já estava residindo
na Terra dos Homens
há milhares e milhares
de Annos-Luz,
e já nem se lembrava mais
de quomo eram as refeições
em seu Planeta de origem.
Não se lembrava,
de jeito nenhum!,
se lá em seu Planeta,
em sua Galáxia longínqua,
existia o hábito de se alimentar
do jeito que os humanos
se alimentavam.

Às vezes, ele pensava:
“Será que a minha Mamãe
Extra-Terrestre
cozinha os alimentos,
lá na minha Longínqua Galáxia,
em fogão-de-gás?,
ou será que se utiliza de fogão-de-lenha,
quomodo as Antigas Cozinheiras
Camponesas de Minas Gerais?
Será que existe fogo por lá?, será?
Será que existe o gostoso
arroz com feijão?, será?
E lingüiça de porco?
Será que há porcos por lá?, será?

A verdade era que o Bhima viera
muito jovenzinho
para a Terra dos Homens,
e os hábitos de sua Antiga Vida
foram esquecidos.

Adotara os costumes dos Humanos
desde que se materializara
quomodo Filho da Rainha Kunti,
e, então,
depois que conheceu o Brasil Varonil
e, principalmente,
as Terras Encantadas de Minas Gerais,
de verdade!, a partir daí,
o Bhima já não podia viver
sem os saborosos alimentos
degustados naquella parte
do Mundo Rotundo.

O arroz branco com feijão preto
temperados com alho fritado douradinho,
então, nem se fala!,
era (e ainda é) a sua refeição preferida.

Por tudo isto, o Bhima, naquelle dia,
abarrotou o freezer Compact90
de marca Cônsul,
que estava bem instalado
na Micro-Cozinha de sua Vimana,
com a deliciosa comida mineira
feita por ele mesmo,
pois, há muuuuuuito!!!, aprendera
os segredos daquella
tão decantada culinária mineira,
praláde apreciada pel’humanidade inteira.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

AS AVENTURAS DE BHIMA NA TERRA DOS HOMENS: RECORDAÇÕES DO PASSADO ANIMADO DENTRO DO ÔNIBUS ALADO - 15.4


AS AVENTURAS DE BHIMA NA TERRA DOS HOMENS: RECORDAÇÕES DO PASSADO ANIMADO DENTRO DO ÔNIBUS ALADO - 15.4

NEUZA MACHADO

Continuando o relato passado
daquelle Viajar Encantado,
daí a Futuros Momentos,
Incríveis!!!,
enquanto esperava
que o Motorista Ariston
terminasse o seu almoço,
a Veneranda Discípula
da Sábia Väjira Diamante
dos Curtos e Anelados
Cabelos Brancos
Brilhantes Esvoaçantes
começou a conversar
com uma Senhora,
que também estava viajando
no Tal Ônibus Transinfinito.

Sobre a anterior sujeira assinalada,
ambas resolveram pedir
aos Agentes da Mileum
que mandassem limpar
o Toalete do Ônibus Alado,
que estava empestado.

Eles atenderam prontamente
o pedido das duas.
E o Tal Toalete Solerte
ficou limpo novamente.

Naquelle entretanto,
acomodaram-se todos no Ônibus,
para recomeçar a Viagem.
E então as duas reataram a conversa,
iniciada durante a parada do Ônibus.

E as duas Senhoras perceberam
(o Bhima acompanhava tudo atentamente)
que possuíam Trechos
de Histórias de Vida em Comum.

A Veneranda nascera na Cidade
em que a outra morava
já há um bom par de Annos,
e, assim,
descobrira que a Francisca
(este era o nome da outra Senhora)
era natural da Cidade
do Rio de Janeiro,
mas se casara com um médico
conterrâneo da Dita Veneranda,
e para lá se mudara
depois de casada.

A Francisca era Nora de um Senhor
muito conhecido na Cidade Natal
da Veneranda Parlante.

O Mais Interessante
desta História Implexante
era que o Irmão da Veneranda,
o José,
quando Adolescente,
fora empregado da Farmácia
do dito Senhor
Sogro da Francisca.

As duas passearam pelo
Passado Encantado,
enquanto o Ônibus Alado corria
em direção ao Futuro Sonhado.

O Bhima já estava quase cochilando
quando finalmente ele
e a Veneranda Discípula
da Sábia Sabida Väjira Diamante
dos Curtos e Anelados e Brancos
Cabelos Brilhantes
chegaram à Cidade
do Divino Espírito Santo
das Minas Gerais.

Quando o Extra-Terrestre
abriu seus Grandes Olhões,
e se preparou para descer saltitante,
avistou as duas
se despedindo alegremente
dentro do Ônibus Itinerante.

Antes de saírem do Ônibus
(ele e a Veneranda),
o Atilado Extra-Terrestre
ainda ouviu a Francisca dizendo:

“Este Pedaço da Viagem,
de Leopoldina City até aqui,
conversando com você,
foi mesmo uma
Agradável Aventura!”

O Solitariozinho Intergalático
não tinha muita certeza
se foram estas exatamente
as palavras da Francisca,
mas o sentido das mesmas
era mais ou menos assim.

Aí, então, três vezes! então!,
enquanto a Veneranda Diana
Discípula da Sábia
do Alto da Conceição
procurava o táxi da preferência,
para chegar sem tardança
à sua segunda divina residência,
o Bhima acionou
o controle remoto,
controlador
de sua Vimana Bacana,
quando esta
se movimentava sozinha,
alojou-se novamente
em seu interior,
acionou novamente
os botões de comando,
e foi depressinha estacioná-la
em uma azulada
e friorenta nuvem protectora
praládiamada.

Depois, de estacionar
o seu Maravilhoso Carro Voador
nas imediações
de uma Serra Esverdeada,
arejou o seu Quartinho Bonitinho,
depois fechou as Janelinhas
da Maravilhosa Engenhoquinha
e foi descansar da
Loooooooonga Viagem
de seis horas ininterruptas
(apenas quinze minutos de lanche
umas horas atrás,
e as poucas e rápidas paradas
para as descidas dos passageiros).

O Solitariozinho
aconchegou-se nas cobertas macias,
se agasalhou muito bem,
porque fazia um divino frrrrrriiiiiiiio
tremendo
de enregelar os pinguins
do Polo Sul também,
e foi dormir muito contente.

No dia seguinte,
ele bem o sabia!,
outras Aventuras Futuras apareceriam
em seu caminho replecto
de mágicos momentos,
quando quebrasse mais uma esquina
nas rotas aéreas ou terrestres
enroladas
entrópicas
caóticas
barulhentas
dos Céus do Grandioso
Brasil Varonil.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

AS AVENTURAS DE BHIMA NA TERRA DOS HOMENS: AS GLORIOSAS CRIANÇAS DA VIAGEM ENCANTADA - 15.3


AS AVENTURAS DE BHIMA NA TERRA DOS HOMENS: AS GLORIOSAS CRIANÇAS DA VIAGEM ENCANTADA - 15.3

NEUZA MACHADO

Enquanto aquilo,
– o Bhima Interplanetário
se decidindo a viajar de ônibus também –
o Ônibus Mileum chegou,
e enquanto não,
a Veneranda Discípula da Sábia
foi comprar um Grande Saco
de Pipocas de Microondas,
que custava a bagatela de um real
e noventa centavos.

A discípula da Sábia Trimilenar
planejava degustar as pipocas
durante a viagem.

A Tal, muito conversada e serelepe,
uma Velha muito prafrentex,
cumprimentou o Motorista Ariston
e ficou sabendo, ali, naquelle momento,
que a Empresa de Ônibus Mileum
vendera as linhas
(as que faziam trajectos para as
Cidades de Minas Gerais)
para uma outra Empresa.

E que, por sinal, justo naquella Terça-Feira
já era o Terceiro Dia sob
o domínio da Mesma,
porque, desde o Domingo anterior,
a actual proprietária
já havia tomado posse da Frota Mineira,
colocando, desde então,
o seu selo de mando e acção.

A Discípula da Sábia Sabida
(tendo ao seu lado, o Invisível Milenar)
carregando a sua Sacola de Viagem Brilhante
e o saco de pipocas cheirosas e gostosas
se foi sentar lá no fundo do Ônibus,
na Poltrona 39 exatamente.

Imediatamente uma Auréola de Pura Magia
começou a enlaçar a Viagem
da Veneranda Diana Maria
de Aventuras Sem-Par
e Muita Euforia.

E o Bhima achou muuuita graça
nos enrolados acontecimentos
que se seguiram.

Naquelle Dia Glorioso,
Gloriosas Crianças iriam também
viajar no Tal Ônibus Aerodinâmico,
juntamente com suas Famílias.

O cheiro delicioso da pipoca mexeu
com os infantis narizinhos,
e com os narizes dos adultos, inclusive.

Já era hora do almoço
e os viajantes ainda não tinham almoçado,
e as crianças sinceras
sentiram o cheiro da pipoca
saboreada pela Veneranda Discípula
da Sábia Sabida Väjira Diamante
da Língua Pali Florida
do Oriente Distante
Uma Terra Garrida.

U’a Menininha Magrinha,
do outro lado da fileira de poltronas,
falou chorosa e dengosa para a mãe
que estava com fome,
e pediu-lhe pra comprar
“uma coisa pra mim comer, mãe!”

A Mãe da Menininha Magrinha
zangou-se com ela,
e mandou-a calar a boca
e ficar bem quietinha.

A Discípula da Sábia,
naquelle momento,
percebeu o tamanho do estrago
que fizera ao comprar
o Tal Saco de Pipocas Cheirosas.

Sacudiu, então,
a sua Bolsa Mágica e Brilhante,
e tirou, lá de dentro,
um saquinho plástico,
colocando dentro dele um punhado
de pipocas cheirosas.

E ofereceu o saquinho de pipocas
à Menininha Magrinha,
tão engraçadinha!

A Mãe imediatamente
aceitou a oferta,
muito contente,
saboreando também
a pipoca saborosa,
comendo muito muito muito mais!
que a Menininha Chorosa.

A Mãe da Menininha Magrinha
não tinha dinheiro para comprar
alimento suculento pra filhinha
durante a viagem,
mas portava nas mãos
um maço de cigarros cancerosos
e uma caixa de fósforos fosforosos.

Nesse entretanto,
uma outra Menininha Serelepezinha,
entre as muitas Menininhas Bagunceirinhas
de uma outra
Grande e Barulhenta Família,
sentiu também o cheiro da pipoca saborosa
e disse para a Mãe
Tão Novinha:
“Mãe, tô sentindo um cheiro
de pipoca estragada!
É mesmo!, sim senhora!, de verdade!,
pipoca estragada, Mãe!”

A Veneranda Discípula
da Sábia Sabida
riu-se por dentro.

A Menininha queria
a pipoca cheirosa
que não lhe pertencia,
e por isto desdenhou
o cheiro que sentia.

O Bhima riu-se por dentro
também.
Não é que as cenas
se desenrolavam engraçadas,
dentro do Ônibus Aerodinâmico?!,
enquanto o Tal Rodava
Veloz e Seguro
a Direção
ao Futuro Sem-Muro?

A Discípula da Sábia
não teve outro jeito.

Sacudiu a sua
Mágica Bolsa Brilhante,
e retirou lá de dentro
outro saquinho
de plástico transparente.

Encheu o saquinho
com a pipoca cheirosa,
gostosa e quentinha,
e deu-o para a tal Menininha.

No mesmo instante,
uma Chuva de Meninas Agitadas
Acompanhantes,
irmãs da Tal Menininha,
disputaram com ela
o saquinho de pipocas
fresquinhas.

A Veneranda Discípula da Sábia
se contentou em comer apenas
uma pequena porção de suas pipocas
cheirosas e saborosas.

A maior parte
das pipocas saborosas
foi distribuída com as Crianças
que viajavam no Ônibus.

A Veneranda pensou
Com seus botões antigões:

“Nunca mais vou comprar
Sacão de Pipocas de Microondas
para comer em minhas
Viagens Encantadas”,
pensou e repensou
a Discípula da Sábia Sabida.
“Não se deve oferecer
Migalhas de Alimentos
às pobres Crianças
tão mal-amadas,
coitadas!
É melhor não assanhar
os sentidos olfativos
das Crianças Inocentes”.

A Discípula Esotérica da Sábia Sabida
não se conformava por ver
o maço de cigarros cancerosos nas mãos
da Senhora Macérrima,
que viajava
na outra banda do Ônibus
com sua Filhinha Magrinha.

A Menininha não tinha sequer
um biscoitinho barato para comer
durante a viagem,
mas a Mãe tivera dinheiro
para comprar os cigarros cancerosos.

“Isto é um absurdo!”,
pensou inconformada
a Veneranda Diana da
Curta Cabeleir’Alada.

Lá pelas tantas,
alguns passageiros desceram,
e a Discípula foi sentar-se
em uma poltrona,
um pouco distante,
no meio do Ônibus.

Não queria olhar
(através de seus Óculos
TriDimensionais
Escuros,
próprios para ver ao redor,
sem que os seus olhos
fossem vistos)
a Pobre Menininha Magrinha,
faminta, coitadinha!,
sorrindo-lhe em sua direção.

Não que a Veneranda
fosse uma Mulher sem coração,
não Senhor!,
mas irritava-lhe o facto
de existirem Mães
que preferiam comprar cigarros cancerosos
ao invés de alimentos nutritivos e saborosos
para os próprios filhos.

Um outro facto
engraçado aconteceu,
para a alegria
do Solitariozinho,
atencioso espectador
das coisas miúdas
do Mundo dos Homens.

Quando de sua mudança
para a outra poltrona,
a Veneranda perdeu,
no anterior assento,
a sua toalhinha de mão,
um pedacinho de pano
mágico e rosado
e de muita estimação.

A Veneranda deu por falta
da tal toalhinha
e retornou ao assento
de número 39,
para recuperá-la.

Olhou e olhou
e novamente procurou,
mas a tal toalhinha
não encontrou.

A Procurada, magicamente,
já havia passado
para outras mãos,
também, rápidas e mágicas.

A pobre, coitada!,
a Discípula da Sábia!,
voltou ao seu novo assento
e, de lá, perguntou à Mãe Cigarreira
da Menininha Magrinha,
que, naquelle momento,
em um abrir e fechar de olhos,
já estava sentada
na anterior poltrona 39
(de onde ela mesma,
a Diana Caçadora Valente,
havia saído),
se ela tinha visto a tal toalhinha.

A senhora olhou, olhou,
e novamente reolhou,
com um ar praláde engraçado!,
e nada achou.

Mas, depois,
meio sem-graça, informou
à Veneranda Com Anda
dizendo-lhe
que a outra Menininha Serelepe,
que passeara anteriormente
dentro do Ônibus,
dissera-lhe
que a tal toalhinha era dela,
e a levara com ela.

Então, três vezes!!! então,
já era!!!
uma toalhinha bonitinha amarela
de estimação!!!,
que foi parar magicamente
em outras mãos!!!

Será que as mãos mágicas eram
da agitada outra menininha???
Será???

Nesse ínterim,
Durante a Tal Mágica e Barulhenta Viagem,
a Veneranda Discípula
da Sábia Sabida
resolveu visitar o
Toalete do Ônibus,
porque estava muito apertaaaaaada,
querendo livrar-se de um
dos incômodos
que só os Humanos conhecem,
no caso, esvaziar a bexiga,
replecta de urina,
sem que os outros Humanos
que viajavam no Ônibus
a vissem.

Você já deve saber,
os Humanos não são quomodo
os outros animais da Terra Rotunda,
que fazem xixi
e defecam em qualquer lugar,
sem se importar
com os olhares circundantes.

Entretanto,
o Toalete do Ônibus
já estava ocupado.

Quando a moça saiu,
uma passageira da Família Agitada
das Outras Crianças Super-Aladas
Saltitantes e Falantes,
o cheiro de cigarro canceroso
e azedume de vômito
inundou o ambiente fechado
do Ônibus Refrigerado.

A Veneranda olhou e olhou e olhou
e o seu estômago revirou.

O Toalete estava todo sujo de vômito
e guimba de cigarro de quinta qualidade.

Coitada!, a Veneranda
não pode fazer seu xixi,
e a bexiga da pobre
estava tão cheia, tão cheia!,
que o Extra-Terrestre Sensível,
conhecedor de todas as expressões
de alegrias ou angústias
dos Seres Humanos,
ficou com muita pena da Velha Senhora.

Cabisbaixa, ela voltou
para o seu assento do momento.

“Não!, não dá para entrar!
Vou esperar!,
e só me aliviarei quando
o Ônibus parar!”

A moça ainda disse a rir animada:
“Vomitei no banheiro, todinho!”

Uns quilômetros adiante,
a Família Agitada
(com suas crianças indomadas)
desceu do Ônibus,
acalmando assim
a Viagem Transtornada.

“Coitadinha da Discípula!”,
pensou o Bondoso,
“está que não se aguenta,
querendo urinar,
mas terá de esperar
o ônibus parar!”

A parada de quinze minutos,
na Cidade da Princesa Leopoldina,
foi outro Momento Incrível,
de Incríveis Acontecimentos.
A Discípula da Sábia Flamejante
correu para o Toalete
da Parada-Restaurante
do Ônibus Ambulante.

Aliviou-se.

Depois,
foi comprar um cafezinho
de sessenta centavos
(um preço absurdo,
naquelle anno de 2003!).

A Mãe Macérrima
da Menininha Magrinha
já estava tomando
o seu indispensável cafezinho.

Quomodo boa fumante,
a dita Senhora
gastou um dinheirinho suadinho,
para comprar
o seu próprio cafezinho.

Em seguida,
durante os quinze minutos
da parada do Ônibus,
fumou três cigarros cancerosos,
acendendo o segundo
na brasa do primeiro,
e o terceiro cigarro
na brasa do segundo.

A Menininha, coitadinha!,
pedia-lhe que comprasse
isto e aquilo,
para ela comer:

“Estou com fome, Mãe!”

E a Mãe respondia-lhe,
com a voz bem baixinha
e os dentes cerrados:

“Cale a boca!, enjoada!,
não tenho dinheiro,
já lhe disse!
E nós já vamos descer
na próxima Cidade!”
(Elas iam descer em Muriaé)

Antes do Ônibus retomar a Viagem,
a Mãe da Menininha foi até ao Bar
e comprou mais um maço
de cigarros cancerosos
e uma caixa de fósforos fogorosos.

Nem o Bhima
e nem a Veneranda
viram se ela comprou algo de comer
para a Menininha Falante
e Muito Magrinha.

Se comprou, eles não viram!
Eles só viram as zangas
e os dolorosos beliscões maternos
nos braços fininhos da Menininha Magrinha.

“O vício é uma danação!”,
pensaram em conjunto
a Veneranda do Monte da Conceição
e o Bhima Extra-Terrestre Bonzão.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

AS AVENTURAS DE BHIMA NA TERRA DOS HOMENS: O VIADUTO DA CIDADE MARAVILHOSA - 15.2


AS AVENTURAS DE BHIMA NA TERRA DOS HOMENS: O VIADUTO DA CIDADE MARAVILHOSA - 15.2

NEUZA MACHADO

Naquelle Anno de 2003,
durante o trajecto até àquelle local
- o Terminal Rodoviário Novo Rio -,
comodamente instalado em sua Vimana
Silenciosa Voadora, e discreta,
o Solitariozinho fora se entretecendo,
apreciando alguns Pontos da Cidade,
outrora lindos e maravilhosos.
A bordo de sua Vimana Voadora
e usando o seu Binóculo Mágico
das Grandes Ocasiões,
horrorizou-se com a feiúra
que era a Tal Rua-Viaduto
Paulo de Frontin.

“Minha Nossa Senhora da Penha Mais Alta
e das Causas Perdidas!, exclamou
(o Bhima era religioso e todo todo todo redundante),
como este lugar da Cidade,
tão interessante noutros tempos!, está feio!”

O fato era que, naquelle Anno de 2003,
principalmente naquelle mês de agosto
já assinalado,
a sujeira,
o abandono,
os pobres mendigos,
os perigosos desocupados,
e outros males terrííííííveis,
quomodo ratos, baratas, e milhares
de outros bichos peçonhentos,
se compactuavam,
para fazer das pilastras do Viaduto
as suas moradias permanentes.
E o fedor de urina?
E os restos de fogueira e comida estragada
nos cantinhos das pilastras?
“Um horror!”, pensava ele,
amante que era de locais
arrumados e arejados.

A sua Vimana Voadora, por exemplo,
era muito limpa, pois,
além de ser o seu Veículo
de Extraordinárias Viagens Sem-Fim,
e praláde interessantes,
era também a sua Casa de Moradia,
a sua Residência Oficial
na Terra dos Homens Sem-Rumo.
Mas, garantia-me a Sábia Väjira
constantemente,
a Vimana se encontrava sempre
impecável e aconchegante,
rebrilhando de tanta limpeza.

Era verdade!
O Bhima Intergalático
sempre fora um ardoroso fã
de residências limpinhas,
desde que aportara
na Terra dos Homens,
Milhões e Milhões e Milhões
de Annos-Luz Atrás,
e, com certeza,
aos olhos do Bhima,
a Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro,
naquelle Agosto do Anno de 2003,
não se apresentava quomodo
uma Residência Limpinha
para os Intrépidos Cariocjônios.

O Extra-Terrestre Bhima conhecera
alguns lugares luxuosos e limpos
quomodo, por exemplo,
o Castelo Indiano do Rei Pandu,
seu pai adotivo,
quando de sua única encarnação visível
no Planeta dos Homens.
Aquelle Estéril Rei Pandu,
marido de sua mãe terrena,
a Bella Rainha Kunti
(e que a consagrou ao deus do Vento,
para que a sua necessária descendência
se tornasse divina,
segundo as sábias palavras do Sábio Vyasa).

Outro lugar,
maravilhosamente limpo e famoso,
que o Extra-Terrestre Bonzinho
teve o prazer de conhecer,
foi o Palácio de Versalhes,
tão antigo!, tão fresquinho!,
limpo e eternamente “novo”!,
graças ao bom trato e carinho
dos governantes franceses,
os quais tanto zelaram,
e ainda zelam,
e zelarão,
por seu precioso passado,
exaltando os momentos gloriosos,
sem esquecer os maus momentos
vividos pela Franca Nação.
“E o Bairro Medieval da Cidade de Rennes?
Um lugar tão bem cuidado!
E o Monte Saint Michel?
Que lugar lindo e conservado!”,
pensava enlevado.

E as Pequeninas Cidades de Minas Gerais?,
seu Estado Federativo preferido
no Brasil Varonil, seu lugar adorado
no Segundo e Terceiro Milênios
Presentes Passados.

Não!, não apenas os Castelos
luxuosos e ricos
mereciam a atenção dele!
As Humildes Moradias
dos Montanheses Mineiros,
Limpinhas e Aconchegantes,
encantavam os extras sentidos
apurados
do dócil Extra-Terrestre.

Mas, naquelle momento,
estava ele na Cidade Cariocjônia,
e o lugar escolhido,
no momento,
para a sua função
de Vigilante Intergalático
da Grande Milícia Celestial
do Supremo Senhor,
era o Terminal Rodoviário Novo Rio,
a Velha Rodoviária dos Gentis Cariocas.

Aí, então,
o Bhima começou a redobrar
a sua atenção:
Um vai-e-vem de pernas passantes
se entrelaçavam diante de seus grandes
e argutos e amendoados olhos brilhantes.

Nesse ínterim,
talvez por pura não-coincidência,
percebeu novamente a discípula
da Sábia Väjira Diamante,
com sua interessante Bolsa-Sacola,
Iluminada e Instigante,
encaminhando-se
a direção à Plataforma 30,
quomodo já se habituara a fazer
des o Mês de Fevereiro
daquelle Anno de 2003,
para viajar, todas as semanas,
no Ônibus Mileum,
do Horário de 10h50minutos,
a direção à Cidade
do Divino Espírito Santo
dos Gloriosos Mineiros Altaneiros.

A discípula da Sábia,
de acordo com a percepção
nunca ordinária
do Privilegiado Bhima,
flutuava encantada,
enquanto caminhava apressada.

Não era que a tal Anciã Veneranda
gostava mesmo de viajar?!
A Veneranda Diana
nascera naquelle Signo Zodiacal
do Arqueiro,
aquelle que impulsionou
os Grandes Navegadores do Passado,
em suas Aventuras
e Conquistas de Terras Inóspitas.

Nesse entretanto da Estória,
o Extra-Terrestre Bhima,
disfarçado de Aragem Matutina,
foi acompanhando a Velha Senhora,
porque, tinha plena certeza!,
algum Acontecimento Interessante
adviria dessa Caminhada Apressada,
para a próxima Viagem de Ônibus
já assinalada.
Ele estava bem juntinho dela, e ela,
por incrível que pareça!,
não o percebia.

Quomodo sempre a Mesma costumava fazer,
ela atravessou a roleta-catraca da Plataforma,
mostrou a passagem ao Guarda
da Estação Rodoviária,
desceu a rampa de acesso à Plataforma 30,
e ficou alá sentada em um grande banco,
esperando o ônibus que a levaria
até à Cidade Montanhosa de sua predilecção.

Aquelle Lugar Sem-Igual das Minas Gerais,
não por pura coincidência!,
era o lugar preferido do
Vigilante Intergalático Espectante.

Enquanto o ônibus não vinha,
a discípula se entreteceu com a garotinha Laís,
um pequeno Anjo de Luz de um Anninho,
e que lhe sorria, feliz,
aconchegando-se aos braços de sua Mamãe,
tão novinha!

Naquelle momento, o Bhima decidiu
que retornaria também
ao seu Alto de Serra preferido.
E, por supuesto!, de Ônibus!

Então, ele jogou o pó de pirlimpimpim
em sua Vimana Maravilhosa,
que o acompanhava
quomodo se vida própria tivesse,
graças ao controle remoto dos humanos,
e ordenou-lhe que fizesse a
Viagem de Volta às Minas Gerais
acoplada ao Ônibus,
do lado de fora,
porque ele, o Viajante Intergalático,
iria dentro do Veículo Terrestre,
apreciando os movimentos
da Discípula da Sábia Sabida.

Com certeza, alguma Aventura Interessante
surgiria ao longo do Caminho Bonitinho.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

AS AVENTURAS DE BHIMA NA TERRA DOS HOMENS: TERMINAL RODOVIÁRIO NOVO RIO - 15.1


AS AVENTURAS DE BHIMA NA TERRA DOS HOMENS: TERMINAL RODOVIÁRIO NOVO RIO - 15.1

NEUZA MACHADO

Naquelle dia,
segundo a Sábia Väjira,
o Bhima Voador,
quomodo era de seu costume
no Início do Terceiro Milênio,
resolveu disfarçar-se
de Aragem Matutina
e foi observar,
quomodo sempre fazia,
a movimentação de Viajantes
que abarrotavam
o Terminal Rodoviário Novo Rio,
na Cidade
do Rio de Janeiro Milongueiro,
ex-Capital do Brasil Varonil,
que de “novo”, coitado!,
naquelle anno de 2003,
não tinha mais nada.

O Terminal,
Naquelle Anno da Graça
de Dois Mil e Três
do Terceiro Milênio,
já estava caindo aos pedaços
e envergonhando os Cariocjônios
(descendentes dos Lendários Jônios
da Antiga Grécia),
Habitantes da Mais Linda
Cidade do Mundo.

Acontece que o dito Terminal Rodoviário
do Rio de Janeiro
fora edificado no Anterior Século XX,
Último Século do Segundo Milênio,
e já contava um bom par de Annos sem que,
ao longo de sua existência,
até àquella data,naturalmente,
os Governantes do Estado Federativo
e os Prefeitos da Cidade Maravilhosa,
se interessassem em mantê-lo digno,
melhor dizendo,
em perfeitas condições de uso,
para que o Pobre tivesse o prazer
de envelhecer com dignidade.
Só que tal não acontecera,
naquelles Annos todos.

O Bhima Viajante, em sua condição
de Extra-Terrestre Participante,
um privilegiado ser de outro Planeta,
um ser Intergalático,
recebendo a protecção permanente
de seu Supremo Senhor,
acompanhara a evolução daquella Cidade,
desde que fora fundada pelos portugueses
no Século XVI,
principalmente,
acompanhara a sua Era de Grandeza
até meados do Século XX,
e, agora, comovia-se com o seu declínio.

E, para piorar mais a sua angústia,
o mau-cheiro, que se percebia por toda a Cidade,
naquelle anno de 2003,
era um sofrimento sem-fim
para o seu coraçãozinho
de Extra-Terrestre Bonzinho.

”Mas, a Cidade, pensava ele!,
era ainda muito Bella,
apesar do maltrato
e do descaso de seus Governantes.

E eis que, Naquelle Dia de Agosto de 2003,
uma Terça-Feira Alvissareira
em que a Lua de Sagitário
resolvera beijar o enigmático
Plutão Bonitão,
com muita euforia e paixão
(mas também, muito infiel!,
resolvera apreciar, com carinho,
o Bello Netuno dos Mares do Sul,
temporariamente alocado
na Maison de Aquárius),
então, repito, Naquelle Dia Especialíssimo de 2003,
ele percebeu, com muita dor
em sua alma agitada,
quomodo a Cidade do Rio de Janeiro
estava decadente! Coitada!!!!!

Enquanto pensava no Declínio
da Cidade Maravilhosa,
naquelle Anno da Graça de 2003,
segundo o ReConto
da Sábia Väjira Diamante
dos Curtos e Anelados
e Embranquecidos
e Revoltos Cabelos Brilhantes,
o Solitariozinho aproveitava
para apreciar,
com seus Grandes Olhos
de Extra-Terrestre Vigilante,
a Movimentação que se verificava
no Tal Terminal Rodoviário.

Era bem verdade que,
Naquelle Agosto de 2003,
algumas Empresas de Ônibus,
ou os Mantenedores do Lugar,
estavam a fazer uns remendos
em esparsas partes do mesmo,
quomodo, por exemplo,
ladrilhar um Canto do Grande Corredor,
para fazer do local um Espaço Vip,
mas o Pobrezinho
estava mesmo precisando,
com urgência!,
era de uma Grandiosa Reforma
(mesmo que a metade do dinheiro
de impostos arrecadados,
para a execução da Obra Faraônica,
naquelle Anno Com-Par,
fosse parar nos Bancos da Suíça).

Não!, absolutamente não!
O Terminal Rodoviário,
carinhosamente chamado pelos cariocjônios
de Rodoviária Novo Rio
(uma denominação feminina),
não estava a merecer a atenção
dos governantes itinerantes
da Cidade Bacante!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

AS AVENTURAS DE BHIMA NA TERRA DOS HOMENS: SALVANDO AS TERRAS DE MARCIANO GUERREIRO - 14.3


AS AVENTURAS DE BHIMA NA TERRA DOS HOMENS: SALVANDO AS TERRAS DE MARCIANO GUERREIRO - 14.3

NEUZA MACHADO

Ao chegar em cima
das Destroçadas Terras
de Marciano Guerreiro,
naturalmente voando,
pilotando a sua Maravilhosa Vimana,
o Bhima olhou para baixo
e viu que os Cupins Gigantes
das Bandas do Norte
dos Guerreiros Inflamantes
e mui Comandantes
ainda continuavam a destruir
sem piedade
os Domínios Territoriais
do Velhíssimo Fazendeiro Mineiro.

Então, não teve dúvida:
a bordo de sua Viman’Antigona,
foi espetando cada Gorda Nuvem
com um afiadíssimo e compridíssimo
espeto de churrasco,
despejando assim
uma Incrível Tonelada Gigantesca de Água
bem em cima dos Invasores Não-Convidados.

Quando a Última Nuvem foi espetada,
já satisfeito,
percebeu que os Derradeiros Cupins Resistentes
se debatiam em meio às Revoltosas Águas,
as quais tomaram por completo
as Terras Destroçadas de Marciano Guerreiro.

A Água da Chuva estava a punir os Invasores
e, ao mesmo tempo,
depois que escorresse
para o Grande Oceano Atlântico
de Antigas Épicas Empreitadas,
seria ela a ReNovadora
da Seiva Indispensável
às Terras Martirizadas.

As Terras do Marciano
seriam novamente produtivas
em um Curto Espaço de Tempo.

Enquanto não,
o Bhima se encarregaria de abastecer,
de longe naturalmente,
com alimentos e roupas e calçados,
o seu Velhíssimo Amigo
e os seus Protegidos Imediatos.
Eles nem precisariam ficar sabendo
de onde provinham os donativos,
e dariam graças a Deus
pela ajuda inesperada.

Quanto àquella Quantidade Incrível
de Malvados Cupins Gigantes Afogados,
suas apodrecidas carcaças
se tornariam um bom nutriente
para as Terras Destruídas
do Velhíssimo Marciano
dos Longos e Revoltos Cabelos Argentados.

E, de qualquer maneira,
ele ainda poderia contar
com a Dourada Matinha-Virgem,
aquella destinada ao repouso do Bhima.
Dentro dela, ainda existia
um sem-número de animais e plantas
e frutos comestíveis.
E, ali, os passarinhos cantavam
e as flores se multiplicavam,
alegres e coloridas,
transformando o lugar
em um Sítio Aprazível.

Ainda bem que, naquelle dia,
O Bhima tivera a ideia
de visitar o seu Velho Amigo Marciano.
Graças a sua presença,
as Terras foram salvas
e os Cupins Gigantes foram destruídos
pelo Caudal de Águas Revoltosas
Daquella Chuva das Gordas Nuvens do Norte.

E, enfim, o Marciano Guerreiro poderia recomeçar
a sua lida de Fazendeiro conceituado,
já que suas Terras iriam se renovar,
produzindo o almejado
e consagrado Pão Nosso de Cada Dia,
para ele, sua família e todos os demais
que dependiam de sua
protecção paternal espiritual e vital.

Naquelle dia,
depois da Visita Salvadora,
o Bhima resolveu voltar
para o seu Recanto de Paz,
naquelle Alto de Serra
Of Hinterland das Minas Gerais.

O facto era que a sua Matinha-Virgem,
nas Terras do Marciano Guerreiro,
naquelle momento,
naquella Visita a que se propusera fazer
ao Velhíssimo Amigo
de já Passados Longos Serões Culturais,
não iria oferecer-lhe o repouso desejado.
Ele se cansara, por demais da conta,
na ânsia de destruir os tais Cupins Gigantes
Oriundos das Bandas dos Países do Norte.

Mas Muito Em Breve, ele voltaria a visitar
as Terras do Marciano.
Nesse próximo dia, com certeza!,
a Vida na Grande Fazenda
do Verdadeiro Amor Pelos Semelhantes
já estaria normalizada.

E, assim, o Bhima Intergalático voltou
para o seu Recanto de Luz,
naquelle Outro Alto de Serra das Minas Gerais.

Em lá chegando, arrumou depressinha
o seu Quartinho quentinho Azulado,
trocou carinhosamente os Lençóis
de sua Caminha Flutuante
replecta de Sonhos Brilhantes Dourados,
ajeitou as grossas Cobertas de lã de carneiro,
porque fazia um frrrrrriiiiiio de enregelar os ossos
de qualquer mortal sentimental,
e foi dormir sossegado.

Com certeza, no dia seguinte,
Novas Aventuras o pegariam de surpresa.
No Terceiro Anno do Calendário Astral,
do Período Inicial do Século XXI,
era assim mesmo!,
não se podia prognosticar
os Acontecimentos Futuros,
e a Incomodada Humanidade, Agitada!,
coitada!,
jamaaaaaais conseguia dormir sossegada!

Somente o Intergalático Bhima
alcançava tal privilégio.
Mas o Bhima, já informei-lhe!,
era um Extraordinário Extra-Terrestre!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

AS AVENTURAS DE BHIMA NA TERRA DOS HOMENS: O BHIMA NEO-VOANTE E OS CUPINS GIGANTES - 14.2


AS AVENTURAS DE BHIMA NA TERRA DOS HOMENS: O BHIMA NEO-VOANTE E OS CUPINS GIGANTES - 14.2

NEUZA MACHADO

Mas, Retomando Aquella Aventura
iniciada no Final de Junho de 2003,
quando da visita de Bhima
aos Domínios de Marciano Martins Guerreiro,
estava a dizer-lhe, Caro Leitor-Internauta,
que os Cupins Gigantes haviam,
naquelle momento,
iniciado a Devastação da Propriedade
do Velhíssimo Marciano.

Só para que Você não perca
o Fio Desta Meada Enrolada,
no que se refere aos Nomináveis
Sobrenomes de Família
Da Minha Terrinha
Das Minas Gerais,
quero que saiba que o tal Marciano Martins
era Irmão
do Velhíssimo Emilianno Martins de Brises,
aquelle herói sem-igual,
marceneiro, carpinteiro
e caçador de onças pintadas
e jaguatiricas noturnas,
Aquelle Magnífico Senhor
da Árvore da Mortalha
(o pai de Jane Briseides Mamãe,
Mamãe da Diana Quiromântica
Caçadora Valente,
aquella Proprietária
de Cem Cachorros Malteses
Invisíveis Ferozes Inclementes,
nascida naquelle Signo Arqueiro
de Propriedade do Centauro Quirão,
o Grande Competente Vidente).

Quomodo estava a dizer-lhe,
os Cupins Gigantes,
no dia daquella memorável visita,
estavam a devastar a Propriedade Agrícola
de Marciano Guerreiro,
um quase Centenário Fazendeiro
da Zona da Mata das Minas Gerais.

Os Cupins Gigantes provinham
da Grande Aldeia do Norte Esquentado,
e graças ao Apetite Voraz de que dispunham,
por onde passavam,
iam deixando um Loooooongo Rastro de Destruição.

O velhíssimo Marciano, coitado!,
já não sabia mais o que fazer
para se livrar da voracidade
dos Cupins endemoniados.

Assim, ao chegar
ao Grande Terreiro de Terra Batida
do Velho Marciano Centenário,
o Sentinela do Vastíssimo
e Antiquíssimo Espaço Sideral
constatou entristecido
que as plantações estavam todas destruídas,
e que os Valentes Colaboradores do Velho,
apesar dos esforços hercúleos,
não estavam conseguindo
acabar com a praga de invasores destruidores.

“Sim, eles eram realmente poderosos”,
pensou o Bondoso Bhima.
E ele não poderia fazer
absolutamente nada real
para acabar com os tais Cupins
e, por conseguinte,
livrar o Amigo Velhíssimo
daquelle Problema Infernal.

As terras anteriormente férteis
do Sítio do Marciano
já não possuíam o antigo viço,
graças a ação destruidora
dos Cupins Gigantes
da Região de Poderosos Mirantes,
e iriam levar Annos e Annos
para voltarem a produzir quomodo dantes.

Os camponeses que trabalhavam
para o Velho estavam a definhar,
sem o alimento necessário
que lhes proporcionava saúde e bem-estar.
E o Velho Marciano, coitado!,
já sofrendo o Mal da Velhice,
e também submetido a uma alimentação precária
relacionada à invasão,
não sabia o que fazer
para salvar suas terras
e cuidar daquelles Humildes Trabalhadores
que dependiam de sua proverbial protecção.

Entrementes, o Bhima,
muito preocupado com a situação
do Marciano Guerreiro,
pensou em apelar ao Senhor Supremo,
pedindo-lhe que salvasse o seu Amigo
de Um Destino de Feroz Miséria,
mas lembrou-se com desgosto
que o mesmo Senhor Supremo
proibira-lhe qualquer envolvimento
com os problemas dos Humanos Sem-Rumo.

Mas o Velho Marciano
era seu Amigo de looonga data,
conhecia a sua existência
de Extra-Terrestre Bonzinho
e, principalmente,
deixara uma Matinha-Virgem,
em sua Antiga Linda Propriedade,
só para que o Amigo Extra-Terrestre
pudesse ali estacionar a sua Vimana Voadora
de vez em quando,
escondendo-a dos Olhares Alheios,
sempre que lho premiasse com suas visitas.

Assim, o Bhima,
ao pensar em sua Preciosa Matinha,
replecta de passarinhos e animaizinhos
e florezinhas coloridas,
horrorizou-se com a possibilidade
de os Cupins Gigantes a terem destruído.

Assim, voou com a sua Vimana
até ao referido local
e constatou gratificado
que os Cupins Gigantes das Bandas de Além,
ainda, não tinham devastado
o seu recanto de pura predilecção.

Mas, eles estavam a se aproximar,
desenvolvendo uma horrorosa destruição
rápida e clandestina
em cada Cantinho das Terras
do Velhíssimo Marciano.

Enquanto os Cupins não chegavam
à Matinha Especial,
o Extra-Terrestre pensou:
“Terei de fazer alguma coisa
para acabar com esses danados
e salvar as Terras do meu Amigo
Marciano Guerreiro de Brises
Martins Sant’Anna
dos Romanos Afamados,
mesmo que depois me veja obrigado
a escutar as Reprimendas Sonorosas
do Supremo Senhor de Altíssimo Valor”.

Assim pensando
(os pensamentos do Bhima eram,
antigamente,
poéticos e redundantes e pomposos),
tratou de lembrar-se da Fórmula
Mágica e Secreta
dos Antigos Sábios Indianos,
quando no Inesquecível Passado
eles saiam a enfrentar as Tais Pragas,
salvando com a Tal Fórmula
seus Preciosos Domínios.

A fórmula era bem simples.
Eles praticavam um Mágico Rictual
que proporcionava chuva abundante
e, com isto, matavam todos os cupins,
afogando-os e transformando-os em húmus,
já que suas carcaças em decomposição
misturadas à pegajosa lama da chuva,
posteriormente,
restauravam as propriedades orgânicas
das terras devastadas.

Então, o Bhima olhou para os lados
e não conseguiu avistar as Límpidas Fontes
das Terras do Marciano.
Os Cupins haviam jogado toneladas de terra
em cima das bicas e córregos,
anteriormente produtores
de água limpinha e saudável.

O que fazer?
O Bhima olhou para o céu
e não viu sequer uma nuvem.

Então resolveu-se:
“Vou buscar Gordas Nuvens,
replectas de Água Agitada,
lá das Terras Distantes
de onde provém esses Cupins Gigantes,
Cupinzões Itinerantes,
uma Cambada Danada.”

E, veloz, em sua Vimana
Poderosíssima Voadora,
partiu em busca
das Tais Nuvens Salvadoras.

Segundos depois, ele estava de volta,
pastoreando pelos Céus do Brasil Varonil
uma Grande Quantidade de Gordas Nuvens Mui Brilhantes
que se encontravam estacionadas
lá pelas Bandas dos Países do Norte.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

AS AVENTURAS DE BHIMA NA TERRA DOS HOMENS: A NARRADORA RETORNANDO DAS FÉRIAS MARAVILHOSAS - 14.1


AS AVENTURAS DE BHIMA NA TERRA DOS HOMENS: A NARRADORA RETORNANDO DAS FÉRIAS MARAVILHOSAS - 14.1

NEUZA MACHADO

Depois de umas Férias Maravilhosas,
nesse já passado Mês de Julho de 2003,
e eis que em chegando o Mês de Agosto,
o Mês do Bom-Gosto
(a iniciar a sua trajectória
no Calendário Cristão do Terceiro Milênio),
conforme o prometido,
recomeço os Incríveis ReContos
d’As Aventuras de Bhima,
o Extra-Terrestre Bonzinho
,
aqui nesta realmente Terra Azulinda,
Mundinho este que,
desde o Século Passado,
alcançou o direito de mandar
corajosos astronautas russos e americanos
e brasileses
para passearem na Lua de São Jorge
Guerreiro Exterminador de Dragões Fabulosos
a bordo de Foguetes Interplanetários
Super Velozes,
tão poderosos quanto a Vimana
Bellíssima Maravilhosa Voadora
do meu Amiguinho Extra-Terrestre
Praláde Bonzinho.

Aconteceu que, naquelle final
do Mês de Junho de 2003,
prometi-lhe recontar,
logo que Agosto chegasse,
a Insólita Ocorrência
presenciada pelo Bhima,
quando de sua visita aos Domínios
de seu Grande Amigo
Marciano Martins Guerreiro.

O fato é que eu,
a narradora dest’As Aventuras de Bhima
nos Séculos XX e XXI
,
necessitava urgentemente
de propiciar-me umas férias,
pois estava muito estressada
com os problemas cruciais
que abateram a Humanidade,
neste Início de Terceiro Milênio.

O anno de 2001, por exemplo,
representou um marco
de tragédias inomináveis
(inúmeras Guerras
e muita fome no Planeta),
as quais, aos poucos, lhe revelarei.

Neste momento, preocupo-me muito mais
em relatar-lhe a estória que prometi-lhe.
Mas, quomodo sempre!,
aviso-o que estas Incríveis Aventuras do Bhima
foram a mim repassadas graciosamente,
não fui eu que as inventei,
uma vez que obtive o privilégio de ouvi-las
da boca e conhecimento
da Gran Anciã Väjira Diamante,
a Velhíssima Sacerdotisa
dos Astrais Preceitos Esotéricos
desta Pós-Modernidade Bélica e Agitada
que ora se evidencia com muita força e vigor.

Se for lícito falar em uma mudança de Era
ou mudança de Idade Temporal,
nesta Terra Praláde Azulinda,
e, principalmente,
nomeá-la quomodo Pós-Moderna,
quase poderei afirmar que
desde o Início do Século XX Passado
esta dita Pós-Modernidade já existe.

Acontecimentos traumáticos
sócio-históricos
abalaram as frágeis estruturas
da Actual Agonizante Era Moderna,
o que permite-me pensar
em uma Ruptura Temporal Irreversível,
uma Cisão Brutal possibilitando
uma Transformação Grandiosa
na Trajectória do Mundo Sem-Rumo.

Assim, Você, meu Estimado Amigo,
que lerá estas linhas no Futuro Próximo ou Distanciado,
saiba que eu,
esta privilegiada narradora
d’As Aventuras de Bhima, o Extra-Terrestre Bonzinho,
pude vivenciar um Importante Momento,
Sinalizador de Incríveis Mudanças,
e pude também obter o prêmio
de conhecer os mais Ilustres Poetas
e Escritores
da História da Literatura Universal.

O Mago Vyasa da Índia Antiga,
Amigo do peito de minha Guru,
a Sábia Väjira Diamante
dos Curtos e Sedosos e Brancos
e Anelados Cabelos Brilhantes,
por exemplo, é um deles.
O Sábio Vyasa,
quomodo já lhe revelei anteriormente,
ao relatar para a referida Sábia
a existência do Bhima
e, posteriormente,
quando a minha dita Madrinha-Guru
resolveu recontar-me oralmente
as Maravilhosas Aventuras
do dito Extra-Terrestre Bhima PoliMilenar
,
os três ofertaram-me
a possibilidade de desfrutar,
aqui na Terra Azulinda,
e enquanto eu viver!,
uma existência replecta
de Momentos Incomparáveis.

E eis que eu,
a narradora desses Mágicos ReContos
sobre A Vida de Bhima na Terra dos Homens,
hoje e sempre,
sinto-me a mais Venturosa Criatura
de Deus Onipotente,
por ter recebido um Sagrado Presente.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

AS AVENTURAS DE BHIMA NA TERRA DOS HOMENS: A NARRADORA EM FÉRIAS NO MÊS DE JULHO DE 2003 - 13


AS AVENTURAS DE BHIMA NA TERRA DOS HOMENS: A NARRADORA EM FÉRIAS NO MÊS DE JULHO DE 2003 - 13

NEUZA MACHADO

De acordo com os relatos da Estranhíssima
Väjira Diamante dos Curtos e Sedosos
e Anelados e Revoltos e Brancos
Cabelos Brilhantes,
por volta das dezenove horas e vinte minutos,
daquelle Último Dia de Junho do Anno 2003,
o Bhima, Sentinela Intergalático do Espaço Sideral,
seguindo as ordens de seu Supremo Senhor de Altíssimo Valor,
saiu a bordo de sua Vimana Maravilhosa Voadora
e foi visitar os Domínios de Marciano Martins Guerreiro.

Ali chegando, constatou surpreso
que o Marciano estava às voltas
com um Terrível Problema
em suas Terras Produtivas.

O fato praláde verdadeiro sinalizava
que os Cupins Gigantes,
provenientes de outras regiões da Terra Azulinda,
estavam a destruir e a devorar os produtos
do suado trabalho dos Camponeses,
empregados do Marciano,
um Centenário Habitante do Aprazível Brasil.

Mas, esta Extraordinária Aventura do Bhima,
você conhecerá muito em breve.
No momento, vou recolher-me,
neste Mês de Julho de 2003, frioreeeeeento!,
para um necessário descanso,
aproveitando umas gloriosas férias ao ar livre,
nas verdes e azuladas e multicoloridas
Montanhas Sagradas das Minas Gerais.

Vou passar uns dias hospedada,
quomodo convidada especial,
na Fazenda dos Pequeninos
Duendes Trabalhadores,
uma Fazenda de Sonhos
e Esperanças Em Dias Melhores
e Maravilhas Sem-Fim
(Esperanças Em Dias Melhores a Partir Deste 2003)
cuja ditosa proprietária é a Venerável
Sábia Väjira Diamante dos Curtos
e Revoltos e Anelados
e Brancos Cabelos Brilhantes.

Mas, retomaremos nossa conversa
no Mês de Agosto de 2003,
com muito gosto de minha parte,
porque adoro contar As Aventuras do Bhima
Extra-Terrestre Adorável Querubim
,
e Você é um Amigo sincero,
generoso, compreensivo,
e que não se incomoda com a minha tagarelice,
ouvindo-me pacientemente
por horas e horas e horas,
minutos e minutos,
e segundos sem-fim.
Até breve!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

AS AVENTURAS DE BHIMA NA TERRA DOS HOMENS: O PERCEPTIVO PASSAGEIRO-ALVISSAREIRO - 12.3


AS AVENTURAS DE BHIMA NA TERRA DOS HOMENS: O PERCEPTIVO PASSAGEIRO-ALVISSAREIRO - 12.3

NEUZA MACHADO

Entretanto, depois de algum tempo,
o Extra-Terrestre Bhima percebeu
que a Senhora Brasileira-Americana
se dirigiu meio trêmula
até ao toalete do Ônibus,
demonstrando claramente
o seu mal-estar estomacal.

Ele se assustou quando percebeu
que a senhora estava demorando
a retornar ao seu assento,
e mais preocupado ainda,
quando a viu, muito pálida!,
sendo amparada pelo passageiro da poltrona 36,
em seu caminho de volta
à sua poltrona 16.

Lá de seu assento do fundo do Ônibus,
só sossegou seu precioso coraçãozinho
de Extra-Terrestre Bonzinho,
quando percebeu a Ditosa Senhora
Brasileira-Americana
um pouco mais descansada
e reconfortada,
e, quando viu, também,
a Discípula da Sábia
semi-adormecida,
recostada em outra poltrona
de número 21,
imersa em seus Sonhos
Poderosamente MultiColoridos.

Assim, nesses entretantos,
a Viagem Divinal continuou
até a parada de quinze minutos
em uma Cidade Intermediária situada
entre Montes e Colinas,
a linda Cidade da Princesa Leopoldina.

Ali, na Estação Rodoviária da Princesa,
as duas retomaram a conversa
sobre suas origens mineiras,
trocaram endereços e telefones,
e se convenceram de que, realmente,
em seus respectivos sangues
corria uma dose do mesmíssimo
Valeroso e Honrado Sangue Português
do Memorável Juca Martins,
pai daquelle Velhíssimo Emilianno de Brises,
aquelle da Velhíssima Árvore da Mortalha.

Quando o Ônibus chegou em Muriaé
de Minas Gerais,
a Cidade do destino da Senhora
Brasileira-Americana,
as duas Martins se despediram
(uma vez que a Discípula
iria continuar viagem até ao Monte
do Divino Espírito Santo
dos Valerosos Mineirins).

O Bhima, por sua vez, constatou,
replecto de Imensurável Felicidade,
que as duas haviam selado,
ali, entre Aquellas Altíssimas Montanhas
das Minas Gerais,
um Pacto de Amizade Indestrutível.
Ele bem sabia que as Leis de Sangue
entre os Humanos Mineiros
eram Leis Praláde Sagradas.

Acomodado em sua Poltrona Viajante,
O Bhima louvou ao Senhor Supremo,
admirando as suas justas atitudes.

Sim!, o Senhor Supremo
era sempre muito justo.
Até mesmo Laços Sanguíneos
desatados há muitos e muitos e muitos annos,
o Grandíssimo Senhor
se encarregava de reaproximar,
annos e annos e annos depois,
indiferente às exigências do Tempo.

E eis que chegando
ao destino desejado,
a sua Terrinha Divinal das Minas Gerais,
o Solitariozinho lançou
um olhar de despedida
em direção à Discípula
da Sábia Väjira Diamante
dos Curtos e Encaracolados
e Revoltos Cabelos Anelados
e Abundantes,
e foi descansar
em um Hotelzinho aconchegante
e quietinho
da Divino Cidade Muito Amada,
uma vez que a sua Vimana
Maravilhosa Voadora
estava guardada, à espera dele,
em uma Nuvenzinha Meio Escurecida
Pela Poluição Citadina,
lá para as Bandas da Floresta Tijucana
Bacana e Encantada,
na Hiper Megalópole
do Rio de Janeiro Maneiro,
a mais Bella Cidade
da Globalizada Terra Azulada.