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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Transição

(Letra: Wilma de Souza e Alexandre Machado - Música: Alexandre Machado)

Eu quero da vida o agora
Não posso viver só de lembranças
Muito menos de esperanças
Me deixem viver, me deixem amar

A vida da gente é mudança
Volta por volta é que nem uma dança
Eu sinto uma coisa estranha
Me dizem que é insegurança

Não, não consigo entender
Não consigo explicar
O que eu preciso é mudar...

Quero encontrar alguém verdadeiro
Que me compreenda por inteiro
Que saiba me amar
Sem nada cobrar
Que eu ame também sem sentir preconceito
Pois este é meu maior defeito
Estou tão carente
Preciso amar

Não quero perder minha vida a toa
E já perdi muito tempo de tanto pensar
Procurando o caminho que devo tomar
Me sinto cansada
Eu preciso mudar

Ah, quem me dera poder
Ser feliz de uma vez
Mas eu vou ter que aprender
Eu sei eu vou ter que aprender
Que eu preciso mudar

Bate forte no fundo uma dor sufocada
Me sinto sozinha
Não tenho mais nada
Perdoa se um dia eu te fiz sofrer
Mas eu só estava tentando viver

sábado, 10 de janeiro de 2009

Homenagem a Gilberto Mendonça Teles, em Lille, França



O poeta Gilberto Mendonça Teles foi homenageado, no dia 16 de dezembro de 2008, em Lille, França. O nosso blog o parabeniza, desejando-lhe um 2009 repleto de saúde, felicidade e sucesso.

Para os internautas, apreciadores de poesia, escolhi - para esta postagem - um belíssimo poema de Gilberto Mendonça Teles.

PERCEPÇÃO

Gilberto Mendonça Teles

O mundo te rodeia de cercas e desejos,
te comprime no refúgio de teu quarto
e te restringe à lâmina das coisas
no seu fino acontecer.

Todavia, o amor é para toda a vida,
é para sempre e um dia e mais talvez:
o amor te prende às palavras e te liberta
na invenção de alguns códigos e silêncios.
É possível que a tua cota de realidade
seja agora por demais excessiva
e apenas te deixe perceber os possíveis
de outros planos e subversões.

Vê como as cortinas disfarçam o teu olhar,
como as ruas se enrodilham aos teus pés
e como algumas veredas vão desaparecendo
nos teus desertos e viagens.
Que seria de ti sem os teus espelhos?
sem a jarra-de-flores que guarnece
o espaço dessa mesa de pernas para o ar,
com velhas catacreses da gaveta?

É para ti que as águas vão polindo
os sentidos desse único sentido
ainda vulnerável, mas perdido na cena,
no espetáculo obsceno de ti mesmo.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O Abutre e o Sol Negro

(Alexandre Machado)
Alto vôo.
Fim de madrugada.
A lua vermelha,
como sangue,
vai se despindo
de seu brilho,
e o dia vem
aos poucos,
tocando de leve
o alto vôo
do abutre.
Seus olhos afiados
se moldam para acomodar
o contraste da luz da noite
e do dia.
E o sol desponta no infinito,
diferente,
imenso círculo prateado,
raios negros,
insondável,
quase que engolindo
o mundo inteiro.
O medo nos olhos afiados,
a ansiedade movendo as asas,
e o inevitável encontro...
face a face,
o abutre e o sol,
como uma morte...
como um beijo.
E os raios negros do sol
se confundem com o negro corpo
do abutre
em transe.
Sua carne se desintegrando
no calor sem limites
do sol,
como se este fosse
o abutre do abutre,
comendo-lhe o corpo ainda vivo.
E ambos se entregam
a esse indescritível encontro,
enquanto o dia fica
cada vez mais claro
e mais brilhante,
iluminado pelo amor,
pelo sexo,
de um abutre e um sol
de raios negros.

Um Universo

(Alexandre Machado)
A mulher que eu vou amar
Será aquela sem defeitos
Que possa gabar-se de qualidades
Que não tenha em seu peito.
Será uma fina dama
Com mesclas de meretriz
Que possa dizer-se alegre
Quando se encontra infeliz.
Será um pouco arredia
Em meio a um falso pudor
E vai se despir com coragem
Se for por motivo de amor.
A mulher que eu vou amar
Será uma flor, um veneno
Um vício, uma aventura
Um sonho na noite... sereno.
Terá nos olhos o pranto
Na boca, um lindo sorriso
Será meu mais doce recanto
Meu céu, meu mar... paraíso!
Manchada de negro na alma
E a pele de branco manchada
A mulher que eu vou amar
Será um tudo, um nada.
Será demais feminina
Suave será como a noite
Em uma das mãos, o carinho
Enquanto na outra, o açoite.
Não me dará atenção
Quando dela eu precisar
Mas vai ler meu pensamento
Vai ser como meu par.
Dirá para mim que sou forte
Apesar de minha fraqueza
Terá o poder da alegria
E o segredo da pura beleza.
A mulher que eu vou amar
Será uma louca, uma insana
Que toma meu corpo inerte
E beija e mata e esgana
E espera... pausa... se cansa
Recupera sua energia
Me abraça como criança
Me nina ao raiar do dia.
Terá o sol como pai
Sua mãe, a dourada lua
Mansa, vira pro meu lado
Vestida num manto de nua.
Estando ao lado dela
Eu vou me sentir muito bem
A mulher que eu vou amar
Vai amar a mim também.

A mulher que eu vou amar
Vai ser o que ela quiser.
A mulher que eu vou amar
Vai ser apenas... Mulher!

O Mar

(Alexandre Machado)
Se o mar é um mistério
Você é como o mar
Que ora se encontra sério
E ora, a gargalhar
Que às vezes mostra coragem
E às vezes demonstra medo
Se o mar é um mistério
Eu quero ter um segredo

No mar, eu sinto alegria
No mar, eu sinto prazer
É onde procuro a vida
É onde encontro você

Se você é como o mar
A terra eu quero ser
Pois em três quartos de mim
Quero dar um lugar a você

Se o mar é um infinito
Você é como o mar
Maior que o horizonte que fito
Além dos limites do olhar
É tudo o que há de bonito
É tanto... não dá pra explicar
Se o mar é um infinito
Eu quero um pedaço do mar.