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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

RIO DE JANEIRO, 02 DE DEZEMBRO DE 2001: EPÍSTOLA AOS HOMENS E MULHERES DO FUTURO

NEUZA MACHADO




EPÍSTOLA AOS HOMENS E MULHERES DO FUTURO

NEUZA MACHADO


RIO DE JANEIRO, 02 DE DEZEMBRO DE 2001


Meus Amigos e Amigas do Futuro Sem-Muro, este início do mês de dezembro de 2001, por diversas razões, merece ser exaltado. Estamos terminando, não sei se gloriosamente, o nosso Primeiro Anno do Terceiro Milênio. Não obstante as inúmeras Guerras que, neste momento, assolam o Nosso Planeta Terra; apesar dos desajustes sociais, nos Quatro Cantos do Mundo, sinto-me um ser privilegiado. Quomodo boa sagitariana (mandei-lhes uma cartinha, na semana passada, revelando-lhes a minha propensão para oferecer crédito às sugestões dos Oragos Astrológicos), eu penso que tive muita Sorte Benfazeja nesta minha existência terrena. Pelo fato de ter nascido em meados do Século XX (e graças a esta Apreciada Sorte), pude viver uma parte de minha vida em um momento que sinalizou o final de um Século Automatizado e o final de um Milênio Espetacular, no qual (apesar de todos os problemas insolúveis) ocorreram inúmeras descobertas tecnológicas. Assim, pude assistir, quomodo espectadora, na expectativa fundada em supostos direitos femininos, probabilidades ou promessas, ao início de um Novíssimo Milênio que marcará o Calendário da Terra. Agora, nesta segunda parte de minha vida (espero que seja loooooonga!), ainda presa a esses hipotéticos direitos, adquiridos por meios supostamente sobrenaturais, ainda terei tempo para apreciar as Inúmeras Maravilhas do Orbe, que estão e estarão ainda em processo de configuração em meu Futuro próximo. Meus Amigos e Amigas, desejo, sinceramente, que essas Maravilhas ocorram em um tempo recorde, para que possam beneficiar, principalmente, o Momento Histórico do Amanhã. De qualquer maneira este mês de dezembro de 2001 merece ser exaltado, porque resistiu bravamente aos conflitos mundiais e aos Conflitos Políticos de minha Nação (o mês de dezembro, aqui no Brasil Varonil, está passando as responsabilidades diárias para o ano que vem) e permitiu-nos – homens, mulheres e crianças da’Ágora – mais um período existencial: o estar vivendo quomodo rezam os preceitos do Único Deus dos Hebreus e Cristãos.

O mês de dezembro merece ser exaltado, principalmente, porque, ainda, não aconteceu o terrivelmente esperado Fim do Mundo. Os Homens de meu passado histórico (o passado histórico desta minha época pertencerá também aos Habitantes do Futuro Sem-Muro) previram o Grande Momento para antes do Anno 2000 e, graças a essa previsão, a Humanidade viu-se presa de angustiante expectativa. Mas, por enquanto, os oragos erraram, felizmente!

Outros motivos para que o mês de dezembro de 2001 seja exaltado: o Papa Karol, João Paulo II, o Sumo Pontífice da Igreja Católica Romana, continua vivíssimo e abençoará, não tenho a menor dúvida, o Segundo Anno do Terceiro Milênio. O Papa Karol, se Deus for com ele, ainda viajará muito pelo Mundo, levando a palavra de Cristo. Lembrem-se dele, aí no Futuro Sem-Muro, meus Amigos e Amigas. O Papa Karol, depois de São Pedro (o Primeiro) e São João XXIII (deste Século XX), poderá ser considerado o terceiro maior da Igreja Romana. Ele superou as pressões bélicas da Segunda Metade do Século XX, sobreviveu a um atentado terrorista e ainda perdoou o agressor. O Papa Karol (em nossa real memória, em nossa sobrenatural imaginação, em nossa lírica recordação, nos imaginários-em-aberto de nossos textos ficcionais) viverá eternamente.

Quero que saibam, também, que a minha Cidade Maravilhosa, Megalópole do Mundo Rotundo, continua bella como sempre. É bem verdade que, aqui neste meu Brasil Varonil, existem muitos e muuuitos e muuuuuuitos mendigos nas ruas e debaixo das pontes, nas Grandes Cidades, mas, neste mês de dezembro de 2001, já finalizando o Governo do FHC, algumas entidades filantrópicas olharão por eles. Neste mês, pelo menos, eles não passarão fome. Saibam que, apesar da exigência de economia de luz (uma terrível exigência, neste Governo do Fernando), nossas Festas de Fim de Ano – Natal e Ano Novo – serão iluminadas e, pelo menos por duas noites, os pobres estarão felizes. Aqui, no Brasil Varonil, há muita movimentação para as festanças de fim de ano. Todos já estão enfeitando suas casas e comprando os alimentos necessários para a celebração. Acenderemos nossas churrasqueiras – os muuuito pobres e os poucos muuuito ricos irmanados – e assaremos porcos, perus e galinhas, em homenagem a mais um anno de vida na Terra. O Natal, também, será dignamente celebrado. No dia 25 de dezembro será comemorado o Nascimento de Jesus e, para que a comemoração se apresente completa, os poucos muito ricos já estão providenciando alimentos, roupas e calçados para os muuuitos pobres. Com toda certeza, uma quilométrica mesa de Natal será construída em uma rua tradicional do Rio de Janeiro (pesquisem!) e, sobre a mesma, deliciosos alimentos, que serão oferecidos aos nossos Deserdados da Sorte Benfazeja. Os poucos cidadãos mais afortunados, aqueles que contribuíram para a Grande Ceia de Natal dos Muitos Pobres Carentes do Rio de Janeiro, nesse dia, dormirão o sono dos justos. Esta cena, meus Amigos e Amigas do Futuro Sem-Muro, se repetirá em todas as regiões do Brasil Varonil e nos países pobres do Orbe Rotundo também. Ligando nossas televisões ou, então, acessando a Máquina Internet, aquela que nos mostra todos os acontecimentos do Mundo e da Galáxia Infinita, no perpassar (escoar-se o tempo) de um segundo, assistiremos às demonstrações de bondade dos Poucos Privilegiados da Sorte. A emoção nos dominará e estaremos todos felizes. Mais para o final de dezembro, em homenagem às tradições religiosas que fazem parte de nossas vidas, com certeza, a Bandeira da Paz será hasteada, temporariamente (imagino!). Até lá, terei tempo de relatar-lhes as ocorrências. Aguardem!

Repleta de Esperança em Dias Melhores, prometo-lhes um novo missivo para o dia 09/12/2001. Por ora, recebam o cordialíssimo abraço de:

ODISSÉIA MARIA, filha de Antônio Aquileu Pelides e Jane de Brises.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

RIO DE JANEIRO, 25 DE NOVEMBRO DE 2001: EPÍSTOLA AOS HOMENS DO FUTURO

NEUZA MACHADO


EPÍSTOLA AOS HOMENS E MULHERES DO FUTURO

NEUZA MACHADO



RIO DE JANEIRO, 25 DE NOVEMBRO DE 2001



Meus Amigos e Amigas do Futuro! Hoje mudarei o rumo do meu missivo. Quero enviar-lhes outros assuntos. Não lhes escreverei sobre Guerras e muito menos tristezas. O motivo desta decisão se encontra em meu Mapa Astrológico de Nascimento. Descobri que o Mistério do Futuro me fascina e possuo, graças ao meu Sol Astral, a faculdade de conversar com vocês através de cartinhas. Descobri, também, que, até este preciso momento, ainda não lhes falei de mim. Sou apreciadora de Oragos Astrais e Culinárias Exóticas. Além disso, gosto de escrever textos reais ou insólitos e não sei lidar com imposições que limitem meus procedimentos existenciais. Por uma grande sorte do destino – os sagitarianos sempre se acham proprietários da Sorte Benfazeja, não aceitarão nunca a tal sorte malfazeja –, nasci em um lugar fora do comum e, ali, aprendi a Arte de Cozinhar. Por isto, quero que conheçam meus segredos culinários, em outras palavras, OS SEGREDOS DE CULINÁRIA DE ODISSÉIA MARIA.

Desde meu nascimento, eu, Odisséia Maria, vi-me envolvida com a arte de comer bem. Só para vocês terem uma idéia, pendurei-me aos seios de minha Mãe (a Jane Mamãe dos Martins Briseides) e mamei seu precioso leite, ininterruptamente, até aos sete anos. Ocorre que Mamãe era uma camponesa saudável, uma descendente de Valerosos e Másculos Imortais Caçadores de Onças Pintadas, de Jaguatiricas Noturnas e de Gattas do Matto, Caçadores, os meus Masculinos Ancestrais Tão Gigantes, de Mineiras Matronas Fermosas (meu Papai Antônio Aquileu também), habitantes lendários de Minas Gerais, uma região mítica, mágica, sem-igual no Mundo Global, localizada na parte Leste do Brasil Varonil. Assim, graças à genética saudável dessa descendência tão ilustre, Mamãe agüentou, com galhardia, o apetite descomunal de sua excêntrica filhinha. Quomodo vocês já notaram, nasci em um Alto de Serra Of Hinterland de Minas Gerais (aqui, em minha Pátria Natal, no Brasil Cor de Anil governado pelo FHC, neste Anno de 2001, adoramos os idiomas estrangeiros; principalmente o idioma inglês) e, quomodo serrana caipira, possuo o conhecimento dos segredos inumeráveis, mitológicos, sobre culinária, ervas, simpatias e muito mais, que estavam e estão ainda guardados a Sete Chaves pelas Matriarcas Mineiras. Obtive o direito de aprender as sigilosas receitas de minhas ancestrais cozinheiras com minha Avó Justiniaña de Ogiges, descendente da lendária Calipso, aquela que muito amou o navegador grego Ulisses, o Eversor de Cidades, também parente distante do Centauro Quirón. Foi graças a essa minha inesquecível Avó Camponesa (entretanto, mui Lady, uma senhora da roça mui fidalga), a poderosa Maga Quiromântica Justiniaña, neta de uma portuguesa de olhos glaucos, misteriosos, oriunda da indescritível Ilha de São Miguel, aquele Arcanjo Poderoso, que Jane Briseides Mamãe, filha de Emiliano de Brises, teve a feliz idéia de batizar-me, nas águas eternais do Rio Carangola, com o nome de Odisséia Maria. Depois destas explicações, necessárias, e antes de revelar-lhes os meus Segredos, gostaria de dizer-lhes que esta minha predileção por culinária (incluindo a minha vocação para literatura) já havia sido pressagiada pelos Astros que presidiram o instante, aquele espaço pequeníssimo, mas indeterminado, de tempo, de meu nascimento. Naquele momento, a Lua estava a 19o graus do meu signo de Sagitário, em minha Casa Dois do Dinheiro Vagamundo, se penso em meu ascendente a 21o do signo de Escorpião. Ocorre que o meu Sol de Nascimento estava a 3o do Centauro, na Casa Um, compartilhando com Escorpião o privilégio de também direcionar a minha vida interior práláde agitada. Por esta razão, o meu signo de nascimento sempre se imiscuiu na Casa Um do Ascendente e, também, na Casa Dois do Dinheiro Volátil, a bagunçar para sempre as misteriosas exigências de vida de meu misterioso Ascendente Escorpionino. Também por esta razão, a minha paixão por horizontes dilatados, sem preocupações existenciais, quomodo as preferências das Sagitarianas Sortudas, encontrou, por parte do Ascendente, a intimação, em função de direito suposto, de impulsionar, para minha vida, uma série de transformações radicais. Ah!, meus Amigos e Amigas do Futuro Sem-Muro!, durante esses muitos annos de vida, completados hoje, às 4h20min/horário Verdadeiro no Brasil Varonil (5h20min/horário de Verão), nesse Domingo práláde radioso, foram inúmeras as minhas transfigurações. Saibam Vocês qu’eu nasci em uma Segunda-Feira Misteriosa, dia de Lua Nova, em meados do Século XX, e, desde esse dia, tive a sensação de que o mundo seria, exclusivamente para mim (vejam Vocês!, eu, Odisséia, sou uma Serrana Caipira Ficcionalmente Egocêntrica), uma Grande Aventura. Jane Mamãe, em nossas discussões homéricas, vyásicas e dantescas, nas quais não faltaram as famosas chineladas, acusava-me de ser portadora da chamada Mania de Grandeza (a Mania de Grandeza Sagitariana, tão propalada pelos Astrólogos do Brasil Varonil). Pensando bem, Jane Mamãe e os Astrólogos tinham razão! Não foi sem motivo que Júpiter, patrono de meu nascimento, soprou nos ouvidos dela (de Jane Mamãe, naturalmente) o nome que faria de minha humilde pessoa uma Incansável Viajante Transtemporal.

Mas, voltando ao assunto principal – quomodo aprendi a Famosa Culinária de Meu Estado Federativo Natal –, o fato de ter nascido em uma Segunda-feira, dia consagrado ao culto da Lua, também o fato de estar a Lua – por supuesto, muito de bem com o Sol – localizada em Sagitário, um signo famoso por possuir nativos adeptos da boa mesa e, principalmente, pelo fato de Jane Mamãe, uma dominadora ariana de 01 de abril de 1917, casada com um aquariano (acho que Papai era do signo de Peixes, 18 de fevereiro de 1910/noite), não ter sido uma boa cozinheira – Mamãe, coitadinha, não sabia cozinhar –, repetindo, penso que tudo isso me converteu em uma apreciadora da Arte de Cozinhar. Valorizo, também, para explicar esta minha qualidade excepcional – este meu Talento Extraordinário –, o fato de possuir cinco planetas domiciliados nos signos de fogo: o Sol, a Lua e Marte em Sagitário, Plutão e Saturno em Leão, acrescentando o Meio do Céu em Leão (pelo Ascendente Escorpionino), a Cauda do Dragão de São Jorge Guerreiro em Sagitário, e a Lílith, a outra Lua Misteriosa, também em Sagitário. Convenhamos, meus Amigos do Futuro!, o Mítico Fogo teria de fazer parte de minha vida. Por todos essas causas, tornei-me uma fogosa cozinheira de deliciosas iguarias e uma avultada degustadora de comidas apetitosas.

Além da culinária mineira, aprecio qualquer outra culinária que satisfaça o meu paladar exagerado. Já aprendi, por exemplo, a cozinhar de acordo com os preceitos chineses, japoneses, indianos, et cœtera – sou fanática por comida oriental –; aprendi também a cozinhar de acordo com os costumes dos Caboclos de Manaus, quomodo, por exemplo, um Peixe ao Iskabaj à Moda Cabocla (escabeche: molho, conserva de temperos refogados, especialmente cebolas, aos quais se adicionam coentro, vinagre e muito azeite doce e, principalmente, muita pimenta murupi e pimenta doce, além de muito amor pela culinária manauara), iguaria deliciosa, sem-igual, realmente, um Alimento dos Deuses de Homero Beocianato.

Meus Amigos e Amigas do Futuro! Neste final de Novembro de 2001, e, por agora, terminando de digitar este meu missivo, estarei, aqui (espero que por um bom tempo!), passando-lhes os meus segredinhos da incomparável cozinha mineira e, também, de outros Estados do Brasil Varonil e do Mundo Rotundo, para que, aí, no Futuro Sem-Muro, vocês possam conhecer a Arte de Cozinhar de Meu Tempo Histórico (a mania que se instalou por acá, neste Primeiro Anno do Século XXI, um século pré-anunciador de Guerras, Crianças Desnutridas e Fome Implacável na maior parte do Planeta Terra).

Quanto às notícias dominicais, estarei de volta no Domingo que vem!

Recebam, Homens e Mulheres do Futuro, o meu afeto incondicional e um imenso, amplo e carinhoso abraço transtemporal.

ODISSÉIA MARIA, filha de Antônio Aquileu Pelides e Jane de Brises, descendentes de imortais Caçadores de Onças Pintadas e Jaguatiricas Noturnas de Minas Gerais, uma região incrivelmente mágica insólita diferente situada na parte Leste do Brasil Varonil.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

RIO DE JANEIRO, 18 DE NOVEMBRO DE 2001: EPÍSTOLA AOS HOMENS DO FUTURO

NEUZA MACHADO

EPÍSTOLA AOS HOMENS E MULHERES DO FUTURO

NEUZA MACHADO


RIO DE JANEIRO, 18 DE NOVEMBRO DE 2001


Inesquecíveis Amigos e Amigas do Futuro Sem-Muro! Hoje, 18 de novembro de 2001, quase finalizando o Primeiro Anno do Terceiro Milênio, lembrei-me de informar-lhes algo muito importante. Eu e meus Contemporâneos vivemos ainda sob as ordens do Patriarcalismo Imemorial. O Mátrio Poder, por enquanto, ainda não conseguiu o almejado e total sucesso em sua luta pela igualdade entre homens e mulheres. Conto-lhes isso, porque, até o momento, sempre direcionei minhas cartinhas aos Homens do Futuro, aparentemente, excluindo as Mulheres. Quero que saibam o motivo: quando me refiro aos Homens do Futuro, estou, também, incluindo as Valerosas Mulheres do Tempo Vindouro. Ocorre que, neste meu tempo, ao nos referirmos aos seres humanos – homens e mulheres –, de qualquer Era, enlaçamo-os em uma só categoria genética. Por exemplo: os Homens do Passado eram fortes e corajosos (em outras palavras: os homens e as mulheres do passado eram fortes e corajosos). Procurarei explicar-lhes, da melhor forma possível, o motivo de minhas elucubrações sobre o assunto em questão. Dei-me conta, de repente, da possibilidade das Mulheres do Futuro se rebelarem contra mim, tachando-me de adepta inconteste do Poder Patriarcal. Desde o início da semana, venho cogitando o assunto desta minha cartinha. E se as mulheres forem as supremas e poderosas mandatárias em seu tempo futuro, meus Amigos do Futuro? Quem lerá a minha cartinha semanal, se elas se acharem desprestigiadas aqui neste missivo? Por esta razão, depois das explicações necessárias, quero que as minhas Amigas do Amanhã saibam que, daqui para frente, todas as notícias de meu Agorá serão endereçadas aos Homens e Mulheres do Futuro. Infelizmente, não sou pitonisa, não adivinho nada, e quero agradar aos gregos e às troianas que se encontram no Porvir (mesmo que esse Porvir se localize no meu próprio amanhã). Agora, depois de minhas sinceras desculpas às minhas Amigas do Futuro, passarei a narrar-lhes as principais ocorrências da semana que passou.

Meus Amigos do Futuro (Homens e Mulheres), em uma outra cartinha, falei-lhes que o meu Brasil Varonil é considerado o País do Futebol. Neste 2001, gostar de futebol faz parte de nossa realidade. Endeusar nossos jogadores, também. Com isto, esquecemos nossos hodiernos problemas sociais, nossas angústias existenciais, as inúmeras guerras que nos cercam. Imaginem Vocês!, no momento, neste 2001, fingimos que não há guerra no Brasil Varonil. Aqui, para a maior parte do povo brasilês, existe uma dolorosa guerra: há a batalha diária pela sobvivência. Há um percentual, pequeno, que vive dignamente (são os muito ricos); há um outro percentual, também pequeno, que sobrevive (são os oriundos da antiga Classe Média); e há, em grande quantidade, os sobviventes (são os que sobvivem em meio a mais horrenda miséria). Não saberei narrar-lhes como sobvivem esses meus Irmãos Brasileses, porque pertenço à classe número dois: luto, todos os dias, para sobreviver neste meu mundo de incertezas constantes. Mas, graças a Deus, ainda posso escrever cartinhas para os meus Amigos e Amigas do Futuro. A minha mente continua sã. Ainda posso comprar alimentos, roupas, calçados e, melhor ainda, não tenho dívidas. Quando não puder mais trabalhar (para sobreviver depois que a extrema velhice chegar), irei para o Asilo de Velhos. Quando esse dia chegar, conhecerei (espero que não!) a atual classe número três deste 2001. Rogo a Deus, sempre, que não me deixe conhecer a classe existencial número três. Vou batalhar muito, acreditem em mim!, para terminar os meus dias aqui na Terra com um certo conforto. Entretanto, gostamos de futebol. Só para vocês terem uma idéia, estamos eufóricos porque o Brasil Varonil se classificou para a Copa do Mundo de 2002. Vai começar tudo de novo. Vamos esquecer nossos problemas. Vamos torcer pela vitória de nossa Seleção.

Notícias do Planeta Terra no Anno da Graça de 2001-11-18: as Guerras continuam. Existe prostituição infantil em cada cantinho do Mundo. Há crianças abandonadas, em muitos países do Terceiro Mundo (principalmente no meu Brasil Varonil, por enquanto, ainda, neste 2001, um País de Terceiro Mundo), revirando latas de lixo, buscando alimento, roupas velhas, calçados velhos, no meio do lixo. Muitos Restaurantes do Mundo jogam as sobras de comida no lixo. Os ratos – propagadores de doenças – proliferam nos esgotos mal cuidados de minha Cidade Maravilhosa. As baratas também. Os cachorros das elegantes madames (neste 2001) fazem cocô nas calçadas do Rio de Janeiro, Megalópole do Brasil Varonil. Os rios do Mundo estão poluídos. O ar – purificador – está poluído. As florestas estão desaparecendo. Neste 2001, a corrupção continua. Uma doença mortal – chamada Aids – também. Os impostos sociais estão cada vez mais altos. O dólar – o dinheiro do mundo americano do norte – está altíssimo. A passagem do ônibus – transporte de pobre – aumentou no Rio de Janeiro. Os subnutridos da sobvivência irão morrer de fome: o salário mensal não dará para comprar alimentos nos Hiper Mercados. Et cetera. Et cetera. Etc. Etc. Então, meus Amigos do Futuro!, acreditem!, neste 2001, só porque somos brasileiros, continuamos vivendo quomodo Deus quer!

Domingo que vem, enviarei mais notícias. Recebam o meu fervoroso carinho transtemporal!

ODISSÉIA MARIA, conhecida também por Circe Irinéia, filha de Antônio Aquileu Pelides e Jane Briseides, neta de José Peléias per lado paterno, e de Emiliano de Brises per lado materno, descendentes de imbatíveis Caçadores de Onças Pintadas e Jaguatiricas Noturnas de Minas Gerais, uma região insólita paradisíaca sensacional localizada na parte Leste do Brasil Varonil.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

RIO DE JANEIRO, 11 DE NOVEMBRO DE 2001: EPÍSTOLA AOS HOMENS DO FUTURO

NEUZA MACHADO

EPÍSTOLA AOS HOMENS DO FUTURO

NEUZA MACHADO


RIO DE JANEIRO, 11 DE NOVEMBRO DE 2001


Ao iniciar esta minha cartinha, com as notícias de hoje, dia 11 de novembro de 2001, desejo que esta os encontre repletos de saúde e riquezas fabulosas. Que o Futuro-Sem-Muro aí de vocês seja um lugar de paz, tranqüilidade e harmonia, incluindo a permanente abundância de alegrias espontâneas e felicidades autênticas.

As notícias de meu tempo não são boas. A semana transcorreu quomodo o já esperado. Nós brasileses, neste mês de Novembro do anno inicial do Terceiro Milênio, não estamos guerreando, mas as Guerras insolúveis de outros povos do Mundo nos envolvem inexoravelmente. A incrível Máquina Internet nos mostra todos os acontecimentos do Globo Terrestre – todas as guerrilhas que acontecem nas diversas regiões de nosso Planeta – no mesmíssimo instante do ocorrido. Ontem mesmo caiu um helicóptero na África (pesquisem!), em uma localidade da África, e a humanidade toda recebeu a notícia uns segundinhos depois, inclusive [nós] os brasileses, habitantes de uma região paradisíaca, bela e agradável, incrustada no Espaço de Fogo do Orbe Guerreiro. É bem verdade que o nosso Paraíso não se parece nem um pouco com o Paraíso Celestial das Profecias Religiosas, aquelas inúmeras profecias que acompanharam a humanidade, desde o princípio do Mundo até este meu insólito momento. Muitas manchas negras e nuvens escuras poluem a nossa atmosfera, que deveria ser, sem nenhuma dúvida, de uma pureza celestial, já que nos consideramos os privilegiados de Deus. Saibam vocês, meus Amigos do Futuro, que a frase mais propalada aqui no meu país, neste meu tempo de incertezas, é esta: Deus é brasilês! Realmente, somos um povo feliz. Não há inflação declarada (assim afirmam os economistas); a economia se mantém estabilizada (assim afirmam nossas autoridades competentes); uma parte do povo se alimenta bem (uma pequena parte, bem entendido!) e se veste dignamente (uma mínima parte, bem entendido!); os homens são vigorosos e as mulheres belas saem nas capas das revistas culturalmente conceituadas. É bem verdade que, neste final de 2001, muitos (milhões!) passam fome nas regiões atrasadas de nosso vastíssimo território brasilês (pesquisem!), nas regiões de seca inclemente, mas, um dia, os beneficiados da sorte olharão por eles. De qualquer maneira, que seja feita a vontade de Deus! Infelizmente, neste Agorá, nesta nossa Praça, onde, segundo o deífico Poeta Chico Buarque, desde eras imemoriais passaram, passam e, por certo!, ainda passarão festivas bandas, cantando coisas de amor, neste minuto-mito de nossa realidade, não há quomodo pretender perfeição celestial em nosso Paraíso. Neste anno de 2001, no Brasil Varonil, há muitos desempregados (pesquisem!), heróicos brasileses que vivem em condições de extrema miséria. Mas, Deus é brasilês e, de vez em quando, acontece o inesperado: alguns, entre muitos, enviam cartinhas dolorosas aos animadores de programas de televisão, revelando seus infortúnios, e são sorteados, e depois vão aos programas, e ganham cestas de alimentação por um anno, casa mobiliada, automóvel, plano de saúde por um anno, assistência odontológica por um anno, vestuário completo (comprado nas mais famosas lojas dos grandes Shoppings de nossas mais importantes urbes). Acreditem! Por aqui, há umas poucas pessoas riquíssimas e, às vezes, seus corações se enchem de compaixão por uns poucos mais pobres! São milhares e milhares de pobres brasileses, no entanto, somente uns poucos são agraciados pela Sorte Benfazeja. Os que foram sorteados na Roleta da Sorte! No esperado dia de glória, para os incríveis assinalados da Boa Sorte, a comoção é geral. A Grande Sorte sempre comparece nas tevês aos domingos, buscando a aceitação dos telespectadores. Hoje, por exemplo, à tarde, com os olhos marejados, estarei assistindo, pela televisão, confortavelmente instalada em minha macia poltrona de cor dourada (apesar do minguado salário de sofressora), os programas que se esmeram em proporcionar a estes desvalidos um pouco de conforto vital, mesmo que seja instantâneo. Quero deixar claro, aos meus Amigos do Futuro, que não me coloco contra os programas televisivos que assim agem. Ao lado da disputa pela atenção do telespectador, existe uma grave revelação, em outras palavras, esses programas conseguem mostrar nitidamente (para aqueles espectadores-eleitos, aqueles que sabem avaliar criticamente as mensagens subentendidas) o ponto – que não seja irreversível – de miséria e abandono que atinge a maior parte da população brasilesa neste final do anno de 2001. Mas, não se impressionem, meus Amigos do Futuro Sem-Muro!, olhando para os lados, observando a realidade circundante, repensando o Mundo já Globalizado, aqui ainda é um lugar maravilhoso. Existe, por acá, o chamado jeitinho brasilês, e, assim, graças a esse jeitinho, vamos vivendo quomodo Deus quer.

Por ora, sem mais notícias, despeço-me com um carinhoso e caloroso aperto de mão transtemporal.

ODISSÉIA MARIA, filha genuína de Antônio Aquileu e Jane Briseis, neta, per lado paterno, dos mitológicos José de Sousa Peleu e Antoniña de Tetis, e, per lado materno, dos inigualáveis Emiliano de Brises e Justiniana de Ogíges, descendentes — os meus dois troncos ancestrais — de imemoriais caçadores de Onças Pintadas e Jaguatiricas Noturnas de Minas Gerais, uma região mitológica localizada na parte Leste do Brasil Varonil.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

RIO DE JANEIRO, 04 DE NOVEMBRO DE 2001: EPÍSTOLA AOS HOMENS DO FUTURO

NEUZA MACHADO








EPÍSTOLA AOS HOMENS DO FUTURO

NEUZA MACHADO







RIO DE JANEIRO, 04 DE NOVEMBRO DE 2001


Meus amigos do Futuro, conforme o prometido, eis-me aqui novamente. No momento exato em que começo esta minha cartinha, neste 04 de Novembro de 2001, na Cidade Cariocjônia do Rio de Janeiro, o relógio digital de meu telefone celular marca vinte e uma hora e trinta minutos. Relógios digitais, telefones celulares, microondas [um forno (incrível invenção!) que cozinha os alimentos em questão de segundos], computador, et cœtera, etc, serão, no Futuro Sem-Muro, aparelhos fora de moda, porque, certamente, vocês já terão inventado objetos similares mais sofisticados, e, alguns de vocês, buscando informações desta minha realidade temporal, acharão muita graça de nossas invenções ultrapassadas.

Entretanto, neste exato momento, são vinte e duas horas e cinco minutos – horário de Verão no Brasil Varonil – e eu estou, aqui, a cogitar, selecionando os acontecimentos do dia, ansiosa por enviar-lhes notícias interessantes.

Diferente dos outros domingos, hoje, o Sol hipercariocjônio não iluminou a Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro, neste mês de novembro de 2001. Choveu o dia todo. É noite e, ainda, chove na minha Terra ainda abençoada por Deus. Espero que chova bastante perto das grandes Usinas Hidroelétricas, para que a luz volte a reinar em nosso cotidiano, o qual, no momento, se encontra sem muitas perspectivas iluminadas.

Meus amigos, como já lhes disse, em uma outra cartinha, estamos vivendo uma situação de economia de luz. Desde o mês de junho de 2001, economizamos luz elétrica, para que não ocorra o apagão, ou melhor, a falta de luz nos lares, a escuridão total. É bem verdade que a megalópole cariocjônia continua iluminada: os prédios públicos, os letreiros luminosos, as ricas mansões dos bilhardários, os belos cumes de minha Polis, repletos de luzinhas elétricas, e muitos outros locais, permanecem, continuamente, iluminados. Na verdade, apenas a classe pobre – a antiga classe média – foi obrigada a fazer economia. Existe uma quota prevista para os assinalados do Destino (e eu me encontro entre esses assinalados). A base da tal quota foi elaborada a partir do gasto de eletricidade, de cada residência, ocorrido no mês de junho de 2000. Por exemplo, se a quota foi pequena no tal mês, os assinalados do Destino só poderão gastar aquele percentual, todos os meses, até que o governo do FHC determine o fim da economia. Ocorre que os Privilegiados da Sorte – haja Sorte! – gastaram bastante, no tal mês de junho de 2000, e, já que desperdiçaram muita luz, os Tais poderão usufruir a luz elétrica sem grandes sacrifícios; bastarão desligar alguns condicionadores de ar e tudo estará resolvido. Os pobres que se arranjem e façam economia! Mas, graças a Deus!, o tempo interstício está ameno e o calor abrasador ainda não fez a sua entrada triunfal no Rio de Janeiro. Só não sei o que faremos quando o Caloroso Sol Flamejante vier nos visitar. Como agraciá-lo com a nossa amável acolhida, se não recebermos, daqui a um mês, autorização para ligar nossos humildes ventiladores?

Oh! Meus Amados do Futuro! Estou aqui a me preocupar com a possibilidade de um apagão, enquanto milhares e milhares de seres humanos, inclusive no Brasil, neste 2001 (pesquisem!), não têm o que comer. A Guerra continua no mundo. As doenças continuam. Os deserdados da sorte estão morrendo à míngua. As crianças de algumas regiões do Oriente Médio vão sendo treinadas para a Guerra e já manejam armas mortíferas. As crianças da região de conflito do Oriente Médio não receberam permissão para sonhar com o Futuro Sem-Muro radioso. Não saberão como escrever suas cartinhas para os Homens do Futuro. Não conseguirão, jamais, imaginar a possibilidade de conforto para as Crianças do Futuro. O Futuro não existe para esses infelizes pequeninos do Oriente Médio. Existe a Guerra. São crianças e não brincam como crianças; passam fome e sede (a água é escassa), não têm nenhuma esperança e não sonham com dias felizes. E eu, uma insignificante sofressora desta Era de Calamidades Sem Conta, estou aqui preocupada com pequenos probleminhas cotidianos, com a possibilidade de falta de luz intersticial.

Mas, um Herói irá se sobressair no meio de todo esse alvoroço e gritará a sua sentença de paz. Quando esse dia chegar, estarei a postos, para relatar-lhes o Acontecimento.

Aguardem novas notícias no Domingo que vem. Espero que vocês recebam aí no Futuro Sem-Muro Glorioso o meu profundo amor transecular!

ODISSÉIA MARIA, conforme a Lei, filha de Antônio Aquileu e Jane Briseides, descendentes de Indomáveis Caçadores de Onças Pintadas e Jaquatiricas Noturnas de Minas Gerais, uma região paradisíaca, ímpar, maravilhosa, situada na parte Leste do Brasil Varonil.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

RIO DE JANEIRO, 28 DE OUTUBRO DE 2001: EPÍSTOLA AOS HOMENS DO FUTURO


NEUZA MACHADO






EPÍSTOLA AOS HOMENS DO FUTURO

NEUZA MACHADO



Meus Amigos do Futuro, em meu tempo, neste último Domingo de Outubro do anno de 2001 (28/10/2001) – principalmente em meu Agorá –, cultuamos a chamada Língua Padrão. A Língua Padrão de minha realidade brasilesa segundo os especialistas deverá estar acima dos regionalismos e condizente com os mestres do idioma brasilês. Deveremos estar atentos à correção da linguagem e observar com acuidade os cânones gramaticais prescritos pela tradição clássica, se quisermos o aval de nossos censores. Nossas leis gramaticais impõem severos castigos aos infratores. Os textos técnicos – excetuando os textos artísticos – só serão avaliados como corretos, se não apresentarem solecismos, cacografias, cruzamentos léxicos, expressões viciosas, barbarismos, impropriedades, vícios de tratamento, deformações (alterações na forma das palavras), et cetera, etc. Assim como os portugueses, os brasileses cultos são muito cuidadosos com o idioma pátrio. Aqui, acreditem!, só permitimos a incursão de línguas estrangeiras. Adoramos outras línguas! Abrasilesamos palavras oriundas de outros países, batemos palmas para o idioma alheio, mesmo que o falante seja analfabeto em sua língua de origem, e perseguimos, implacavelmente, os falantes brasileses das camadas dialetais não conceituadas.

Por esta razão, vocês estão apreendendo aqui, nesta minha cartinha, um leve tom solene e o banimento de palavras chulas e expressões impolidas. Emprego termos adequados porque, quomodo autêntica defensora de uma forma de falar correta, vou sempre consultar a Gramática da Língua Portuguesa Européia, uma vez que não desejo ser admoestada por meus conterrâneos. Às vezes, consulto o dicionário de minha Língua Pátria e descubro que a maior parte das palavras de meu idioma provém do Latim Vulgar. Para vocês entenderem aí no Futuro, o Latim Vulgar era a forma de falar das camadas incultas de Roma. Os soldados romanos – aqueles que alargaram as fronteiras de Roma e impuseram o idioma latino aos perdedores – eram oriundos da plebe iletrada, e foram eles, os iletrados romanos, que conquistaram uma boa parte do Mundo daquela época. Herdamos nosso idioma tão amado desses valerosos soldados, os quais souberam dignificar sua pátria de origem. Os povos autóctones eram obrigados a ceder seus espaços territoriais aos invasores romanos, perdiam o direito de administrar seus domínios e, ainda, eram obrigados a aceitar o vulgar idioma do vencedor. Entendam, meus Amigos do Futuro!, a nossa atual decepção: não pudemos herdar o Latim Culto, porque os intelectuais romanos, autênticos ditadores das normas gramaticais do Latim Clássico, preferiram o conforto da Urbe. Enquanto os soldados lutavam e instituíam o tal idioma deturpado, o poderio de Roma se alargava. Mas, mesmo assim, como herdeiros da Língua do Lácio, inculta e bela, procuramos sempre hierarquizar o idioma pátrio, talvez, numa tentativa de esquecer o início de nossa trajetória lingüística de base vulgar. Por estas inúmeras razões, cultuamos a severidade lingüística e não respeitamos as camadas dialetais que não se enquadram nos pré-requisitos normativos do bem-falar. Mas, adoramos os idiomas alheios!, mesmo que os falantes sejam analfabetos em suas línguas de origem. Se vocês vierem, um dia, nos visitar, de volta para o passado, constatarão o que acabo de lhes dizer: não há um canto sequer do Brasil Varonil, neste final de outubro de 2001, sem a contribuição de idiomas estrangeiros. E acreditem em mim: para os brasileses, é uma vergonha sem limites não saber pronunciar corretamente o idioma alheio... E, no entanto, batemos palmas para o estrangeiro que sabe estropiar com ou sem elegância nossa língua brasilesa inculta e bela.

Meus Amigos do Futuro!, venham nos visitar! Entrem no túnel do tempo e retomem o passado. Este meu presente será o passado de vocês. Venham informar-me o que tanto desejo saber: vocês continuam falando o brasilês? Espero que o Brasil do Futuro aceite suas diversas características dialetais, superando a insegurança lingüística que o faz prestigiar outras línguas que não a própria. Só assim irá amadurecer como Nação Soberana. Os diversos estratos lingüísticos deveriam ser respeitados e não ridicularizados, o que, normalmente, ocorre por aqui.

No próximo Domingo enviar-lhes-ei outras notícias. Aguardem-me! E recebam o meu abraço transecular!

ODISSÉIA MARIA, filha legítima de Antônio Aquileu e Jane Briseides, descendentes de Gloriosos Caçadores de Onças Pintadas e Jaguatiricas Noturnas de Minas Gerais, uma região misteriosa situada na parte Leste do Brasil Varonil.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

RIO DE JANEIRO, 21 DE OUTUBRO DE 2001: EPÍSTOLA AOS HOMENS DO FUTURO


NEUZA MACHADO

EPÍSTOLA AOS HOMENS DO FUTURO

NEUZA MACHADO



Meus caros amigos, neste ano de 2001, mais precisamente neste mês de outubro de 2001 (21/10/2001), a coisa aqui tá preta, ou melhor, está branca. Surgiu no Mundo, junto com esta Guerra que nos perturba, a chamada Guerra Bacteriológica. Apareceu, por aqui, um pó branco assustador repleto de bactérias mortais. Esse pó provoca uma doença chamada Antraz. A humanidade atualmente – espero que acreditem em mim! – está apavorada. Esta praga não se compara com as outras pragas já registradas na História do Mundo. É algo terrível e inexplicável. A poeirinha da morte chega ao destinatário pelo Correio, dentro de carta lacrada, contaminando quem a manusear. Justo agora, no momento da Guerra, aparece a tal doença. Não sei explicar-lhes o nosso pavor. Falando por mim, só posso dizer-lhes que a minha angústia é imensa. Espero a proteção de um Herói, um cavaleiro audaz, surgindo do Nada, trazendo nas mãos o antídoto salvador. Entretanto, Amigos do Futuro!, penso que, atualmente, não há herói que dê jeito em toda esta confusão. E, por falar em herói, não há mais heróis neste meu Mundo. Os heróis ficaram lá no passado. Os de hoje já morreram, ingloriamente.

De qualquer maneira, eu sei que – todos nós sabemos – um Herói chegará, muito em breve, para nos salvar. Será um Herói do Futuro! Ao contrário dos homens antigos, que cultuavam os heróis do passado, nós, do século XX e início do século XXI, vivenciamos uma situação singular: os heróis que cultuamos estão no Porvir. Sabemos direitinho como são vocês; imaginamos as vestimentas que usam, os veículos futuristas que transitam por suas ruas douradas, visualizamos suas cidades bem planejadas, admiramos a forma como vocês se livram das doenças indesejáveis, et cetera, etc. O Futuro, de acordo com a nossa percepção, se movimenta na mais perfeita ordem. Eu tenho certeza de que, neste exato momento, está nascendo o Herói da Humanidade. Uma Super-Criança está nascendo, em alguma Maternidade do Mundo, e com certeza estará destinada a realizar a maior façanha de todos os tempos: transformar o Planeta Terra em um lugar onde se possa viver em paz. Pesquisem aí no Futuro e descobrirão. A criança, do sexo masculino naturalmente – ainda cultuamos o patriarcalismo –, está nascendo, agora, neste instante. Gostaria, imensamente, que ela fosse brasilesa. Neste exato momento, o Herói está nascendo. Confiram aí no Futuro: são uma hora, trinta e três minutos e zero segundo, o horário de verão no Brasil Varonil. Se vocês quiserem compreender o que quer dizer Horário de Verão, saibam que, de vez em quando, o governo brasilês atual ― o FHC ― manda o povo adiantar os relógios em uma hora. Assim, se os cálculos do horário acusarem zero hora (meia-noite), trinta e três minutos e zero segundo, saibam que ambos – os dois horários – significarão a mesma coisa. É um pouco complicado, mas, com boa vontade, vocês compreenderão. Só para melhorar um pouco mais a minha explicação, informo-lhes que há uma razão para esta atitude do atual Governo, o Fernando Henrique: o Horário de Verão Econômico ajuda-nos a economizar luz elétrica e, assim, os recursos financeiros, dos quais carecemos, aumentam. Fazemos economia, porque queremos saldar nossa dívida com o FMI. Infelizmente, a tal dívida parece não ter fim. Desculpem-me, mas em uma outra carta explicarei o significado desta sigla. Hoje não. Estou um pouco cansada do trabalho semanal, estafante. Na próxima semana, espero enviar-lhes uma carta mais esclarecedora. Esta de hoje está meio embaralhada. As notícias da Ágora Global não são muitas boas, por causa das duas Guerras que apavoram o Mundo. Duas Guerras ao mesmo tempo. Vocês dirão, quando lerem esta minha cartinha: pobres mortais do ano 2001! Mas, o Herói está nascendo, neste exato momento, em uma grande Maternidade do Mundo. Seu nome se perpetuará como símbolo de uma nova Era de paz. Meus amigos do Futuro, que a paz e o amor reinem em seus lares!

Por ora, terminando o meu missivo (não confundam com míssil, por favor), quero dizer-lhes que o Rio de Janeiro continua bello como sempre. O Sol Hipercariocjônio ilumina a Cidade Maravilhosa dos cariocas intrépidos (aqueles que não trepidam nunca, já que são corajosos e não vacilam ante os obstáculos de um Destino adverso). Por esta razão, peço-lhes licença para plagiar Horácio (Carmen Saeculare – Roma Antiga, época de Augusto): O’ Sol capaz de produzir a abundância, que faz existir o dia com (seu) carro hiper-iluminado e o oculta, e nasce sempre diferente e sempre igual, tomara nada possa contemplar (nos séculos vindouros) maior que a Cidade do Rio de Janeiro.

No próximo Domingo enviar-lhes-ei outras notícias. Aguardem-me!

Recebam o meu grande amor transtemporal.

ODISSÉIA MARIA, filha de Antônio Aquileu e Jane Briseides, descendentes de notáveis caçadores de Onças Pintadas e Jaguatiricas Noturnas de Minas Gerais, uma incrível região localizada na parte Leste do Brasil Varonil.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

RIO DE JANEIRO, 07 DE OUTUBRO DE 2001: EPÍSTOLA AOS HOMENS DO FUTURO

EPÍSTOLA AOS HOMENS DO FUTURO

NEUZA MACHADO

RIO DE JANEIRO, 07 DE OUTUBRO DE 2001


Meus amigos!, cordiais saudações transtemporais!

Hoje, Domingo, 07 de outubro de 2001, no Mundo Global, o dia não está muito luminoso. É bem verdade que o Sol Hipercariocjônio brilha no céu de minha Polis Maravilhosa. Entretanto, o receio de um Conflito Bélico Mundial não nos permite apreciar o lado atrativo da vida. Os Soldados Invisíveis ergueram seus tacapes de guerra e saíram, por aí, espalhando o terror e a morte. Na semana passada, por exemplo, eu vi, acreditem!, – pela Grande Tela da Máquina Internet (uma grandiosa invenção de meu tempo vital) – desnutridas crianças do Médio Oriente implorando apenas por alimento e paz. Asseguro-lhes que a cena foi de cortar o coração de qualquer ser humano sentimental.

Mas, não rasguem esta cartinha antes de lê-la até o final. Há outras notícias interessantes. Por exemplo: Apesar dos contratempos diários, o povo do meu Brasil Varonil continua sorrindo neste mês de outubro de 2001, repleto de fé e esperança em Deus Nosso Senhor, ansiando por dias melhores, lutando bravamente para ganhar o pão nosso de cada dia. Não é muito fácil sobreviver, nos dias atuais, com um salário insignificante. Vocês, os que estão aí no Futuro, com suas mesas fartas, com seus armários abarrotados de roupas bem feitas, maravilhosas, com seus filhos em bons Colégios, et cetera, jamais conseguirão imaginar como é triste, para um chefe de família, sustentar seus filhos com um ordenado mensal vergonhoso. Hoje mesmo, no ponto de ônibus, um senhor maltrapilho, com uma garotinha de dois anos nos braços, abordou-me, pedindo-me, pelo amor de Deus!, um dinheirinho, uma moedinha insignificante, para comprar um pão para sua filhinha. Foi uma cena triste! Ver aquele homem se humilhando, pedindo dinheiro, sofrendo por estar desempregado.

No entanto, meus amigos, não fiquem alarmados!, ainda há diversão por aqui. O meu Brasil Varonil é considerado o país do Futebol. Os brasileses adoram futebol. Jovens e velhos espantam as preocupações constantes, torcendo fanaticamente nos campos de futebol. Hoje, por exemplo, o Brasil venceu o Chile (um outro país da América Latina) por 2 X 0. Os dois países estão lutando por uma vaga no Campeonato Mundial de 2001. Se vocês, aí no Futuro, não sabem o que quer dizer 2 X 0, eu explicarei. Os jogadores brasileses souberam como chutar a bola diretamente para o gol; arremessaram a bola para a rede e fizeram dois gols. Mas que bobagem estou aqui a dizer!, vocês, os habitantes do Futuro, também são brasileses. A diferença é o tempo que nos separa. Apenas isso! Mas, tudo continua como dantes, nada mudou no Quartel de Abrantes!

Agora, que já lhes narrei alguns fatos de minha caótica realidade, quero que repensem as minhas mais íntimas indagações. Por exemplo: O Mundo de hoje alcançou uma alta tecnologia. Os grandes cientistas, os grandes inventores, apresentam à humanidade – no perpassar de um minuto – suas grandes descobertas. Desde a Antigüidade, as invenções foram surgindo e engrandecendo o Homem. Atualmente, existe o computador – invenção maravilhosa – e a Máquina Internet, um poderoso invento, que nos apresenta notícias, dos cantinhos mais escondidos da Terra, no mesmíssimo instante do acontecimento. Por tudo isto, pergunto-lhes: As invenções de seu tempo futuro serão maiores do que as nossas? As invenções de nossos cientistas se converterão em joguinhos ultrapassados em seu tempo vindouro? Que pena, meus amigos! Eu não sei se a minha alma estará, por aí, apreciando o poder de seus Cientistas Afamados!

Meus amigos do Futuro! Sem outras notícias para enviar-lhes, despeço-me, desejando-lhes muita paz e felicidade. Estarei sempre rezando por vocês ao Único Deus dos Cristãos, até o final de meus dias aqui nesta Terra Maravilhosa.

ODISSÉIA MARIA, filha de Antônio Aquileu e Jane Briseida, descendentes de imortais caçadores de Onças Pintadas e Jaguatiricas Noturnas de Minas Gerais, um mágico território situado na parte Leste do Brasil Varonil.

P. S.: A minha ODISSÉIA MARIA ainda será publicada. Aguardem!

domingo, 4 de outubro de 2009

HOMENAGEM AO PRESIDENTE LULA

NEUZA MACHADO

“... eu ainda vou escrever uns versos laudatórios pra ele, para homenageá-lo à moda de alguns poetas brilhantes do passado distante, puxa-saquismo ainda é prática no País do Ão, e eu vou puixar à moda de então ...” (In: NEUZA MACHADO, ODISSÉIA MARIA, narrativa de 1998 a ser publicada em breve)


Em 2003 escrevi As Aventuras de Bhima na Terra dos Homens, uma narrativa sócio-mítico-ficcional em que previ (sem querer, em absoluto, me autodenominar Profetisa) os sofrimentos políticos e a certeza das vitórias do Presidente Lula. Em todas as minhas narrativas, de 2003 para cá, a presença, sempre marcante, do nosso Presidente Metalúrgico foi uma constante. Neste ano de 2009, estou muito feliz com a consagração, em termos mundiais, do nosso atual Presidente, enquanto Homem de Bem e Grande Político. Que morram de inveja os adversários, pois, apesar dos ataques e maledicências, ele já entrou para a História dos Grandes Homens do Mundo.

Eis aqui um trecho d’As Aventuras do Bhima escrito por ocasião da vitória do primeiro mandato de Lula:

“Naquele dia, o Bhima chorou muito!, mas era um choro de pura alegria. Aprendera a amar aquele povo sofredor e ao mesmo tempo feliz, o qual, naquele momento histórico, aclamava o Novo Governante, O Abençoado e Ungido, com lenços vermelhos e bandeiras coloridas, depositando em seu ombro esquerdo o Luminoso Saco do Papai Noel repleto de verdes esperanças em um futuro radioso somadas a brancos estímulos de paz e vermelhas motivações de vida saudável. Sim!, para aquele povo sofredor e, ao mesmo tempo, alegre e barulhento, o vermelho não era sinônimo de guerra e sangue, de jeito nenhum! Para aquele povo, secularmente subjugado e desmerecido por outros povos aparentemente superiores, naquele momento, o vermelho significava o precioso e valeroso sangue que pulsava em suas veias, o qual deveria ser naturalmente saudável, por meio de uma saudável alimentação, uma saudável forma de existir no mundo, e que, infelizmente, até aquele momento, lhe fora negado por outros anteriores acomodados governantes. Em verdade, naquele País Terceiromundista, até àquele momento, só uns poucos privilegiados possuíam suas despensas fartas, suas mesas com saborosas iguarias, boas roupas e calçados de primeiríssima qualidade, e muito dinheiro nos inúmeros bolsos e Bancos. A educação, até àquela data, infelizmente, era precária, tanto para os muito ricos quanto para os muito pobres. Quanto aos sessenta milhões de miseráveis, esses, coitados!, até àquela ocasião, não possuíam o direito de receber nem mesmo a tal precária educação! Emocionou-se mais ainda quando viu o Longamente Esperado (há treze annos o povo o esperava) levar a mão esquerda até ao ombro direito, numa clara expressão de dor. Somente ele pode ver, com seus grandes e amendoados e luminosos olhos de Extra-Terrestre, o volumoso fardo que, a partir daquele momento, amoldara-se pesadamente ao ombro direito do Novo Governante, aquele que fora há vários séculos anunciado pelo Mago Nostradamus, obrigando-o a externar a dor física que estava sentindo. O Bhima chorou lágrimas ardentes, muito mais e dolorosamente, porque tinha consciência de que levaria algumas luas-luz, com certeza!, antes que o Realmente Aclamado pudesse realizar as esperanças de seu povo amigo e cordial. Chorou lágrimas sentidas porque não lhe era dado, pelo Supremo, o direito de revelar ao povo que ele tanto amava se aquele novo Chefe da Nação, predito por Nostradamus do século XVI em suas Centúrias no início do cinqüecento, iria sair-se vitorioso em sua empreitada de Combate Contra a Fome que, há muuuiiito!!!, grassava no País.

Naquele dia, a Tela Mágica do Futuro ficou bem resguardada em sua Vimana Voadora, a sua Nave Estelar Maravilhosa. O Solitariozinho não quis olhar a Sorte Vindoura daquele povo por ele muito amado, uma vez que o Senhor Supremo, a poderosa divindade dos hindus antigos; o God dos ingleses e americanos do norte; o Dieu dos franceses; o Dio dos italianos; o Diós dos espanhóis; o Deus dos portugueses e brasileiros e alguns povos da África; o Tupã dos homens vermelhos da Grande Floresta Tropical; o Oxalá da religião africana; ou seja lá o nome que os humanos dão ao Senhor Supremo Criador de Todas as Coisas; repetindo, uma vez que o Senhor Supremo impusera-lhe a Lei do Silêncio quanto à Sucessão Temporal. Então, graças a essa Lei, os humanos só poderiam viver o presente, relembrar apenas alguns fatos marcantes do passado, esquecendo-se dos pormenores vividos, e não poderiam, de jeito nenhum!, conhecer o dia do amanhã. No máximo, poderiam alcançar o dom de uma incerta premonição com ar de probabilidade. Assim, quanto ao Porvir Luminoso, este seria sempre uma incógnita para os terráqueos.

Por tudo isto, o Bhima também chorou de alegria, feliz em observar o clamor espectacular do povo daquele País Tropical ante o novo Governante, um homem forte, de superior inteligência racional e emocional, capacitado para dirigir com mão-de-ferro e coração de mel a Nação, a qual estivera, até aquele momento, se encaminhando para o desastre total. Então, surgiu aquele homem, nascido entre roupinhas modestas e muito amor de mãe pernambucana, prometendo ao povo, se fosse eleito Governante, um rumo diferente para a Nação, um rumo diferente para a História Nacional inserida na História Geral da Humanidade. O Bhima apreciou, por meio de sua Luneta Mágica, o clamor do povo abençoando aquele homem sorridente e amoroso, firme em suas convicções, um Governante que fora, pela primeira vez na História da Nação, escolhido realmente pelo povo, sem nenhuma maracotaia eleitoral. Homem do povo que o povo escolheu, ao depositar, com fervor, nas inúmeras urnas eleitorais espalhadas pelo País, seu voto de confiança naquela nova gestão.”


Eis aqui a Dedicatória ao Presidente Lula, inserta em minha narrativa As Aventuras de Circe Irinéia, escrita em 2005:

“DEDICATÓRIA AO GOVERNANTE ATUAL
QUE PASSA POR UM MOMENTO RADICAL
EMARANHADO NAS TEIAS DE POLÍTICOS
INTRIGANTES QUE TRAMAM SEU MAL

Mas, esta história que quero contar,
por pertencer a um Gênero do Antigo Narrar,
do passado dos gregos e dos romanos de então,
necessita por certo de total proteção,
a proteção de um homem exemplar
e de boa intenção.
E per a razão de meu cogitar,
ao Luís Ignácio do Pernambucano Rincão,
atual Chefe de minha Nação,
fenomenal governante,
Presidente Presente de meu Brasil Triunfante,
a ele, em primeiro lugar,
esta nova estória vou dedicar.
E por ser ele um homem cristão,
nascido e criado em meio ao povão,
pernambucano ou mineiro ou paulista de ação,
quomodo Governante Presente
de meu Chão Resistente,
certamente!,
não se importará
e acredito! permitirá
que, ao meu Povo Brasileiro da Serra e do Mar,
do Oiapoque ao Chuí e do Grande Sertão,
esta dedicatória
com glória
também chegará.

Então, quomodo estava a contar,
esperando que a dedicatória não se perca no ar,
para você, óh! Luís!, e para o meu Povo Exemplar,
e para o povo global que vive a sonhar,
As Aventuras de Circe Irinéia do Insólito Narrar,
uma parenta arredia
de Odisséia Maria,
desejo tramar.”


Em 18/12/2006, com muita consciência do valor do Presidente Luís Inácio, iniciei uma terceira narrativa sócio-mítico-ficcional, concluída neste início de 2009, denominada As Aventuras Prosopopaicas de Dianna Valente. Aqui destaco a Dedicatória e alguns trechos, escritos à época sob o impacto das notícias jornalísticas, quase todas desfavoráveis ao Presidente Lula, jornalistas estes que hoje, por motivos óbvios (mesmo contra suas vontades), se vêem obrigados a apresentar em seus textos a face vitoriosa do nosso ímpar Presidente da República (até agora, no Brasil, não existiu outro igual!).

DEDICATÓRIA

É importante que se diga que a narradora em questão,
digladiadora feroz em um mundo de homens em ação,
mundo de guerras inglórias
e indesejáveis vitórias,
possuía ― naquele momento’anormal ―
consciência total
de que, sem a Dedicatória
Com Glória
ao Presidente’Atuante
do Brasil Verdejante,
o seu Neo-Cantar Incessante,
exaltando o destemor e carisma de Mulher Atuante,
em um Mundo de Homens da Força Imperante,
somatório a Dianna de várias mulheres brilhantes,
mulheres que lutam e labutam
em trabalhos desgastantes,
pois então!,
entendia, a tal narradora em questão,
que, para o desenrolar bem pomposo
de um narrar suntuoso,
uma dedicatória
com glória
ao Governante Popular,
de acordo com as normas da Antiguidade Exemplar,
ao Presidente’Afamado
de seu Brasil Adorado,
o Luís Comandante
da Nação Triunfante,
ela teria de, com orgulho, ofertar.
E foi esta a dedicatória,
com glória!,
da Narradora em Ação
ao Luís Ignácio da Nova Nação,
naquele Anno da Vitória ou Segunda Gestão:

A Vós, óh! Luís! Meu Presidente Presente!
Oferto o meu cantar insistente,
Aqui exaltando o caminhar de uma Brasileira Altaneira,
uma laboriosa guerreira,
a Dianna Valente
Quiromante Influente,
mulher bemmenada,
de vid’agitada,
mulher destemida,
labutante na vida,
âncora segura da família querida,
somatório das outras,
as incansáveis mulheres que passam na Estrada,
do nascer ao morrer,
sem medo de nada.

A oferta, óh! Luís! é bem validada!
Uma Mulher Importante,
bella e atuante!,
de temperamento vibrante,
é o Porto Seguro de vossa caminhada,
vossa esposa Marisa,
Primeira Dama Glorificada,
Muitíssimo Admirada
per muitos brasileiros da Nação Dilatada,
Primeira Dama Por Certo! Invejada
per as anteriores Consortes da Grandiosa Esplanada,
por ser Dona Marisa per Vós bem amada.


E a tal Narradora
Implexora,
dos Antigos Escribas incansável Leitora,
buscando as Arribas da Canção Precursora,
habitante de um Mundo Por Demais Conflitante,
um Mundo Indomável
e Neo-Guerreante,
da Pós-Modernidad’Envolvente,
do Imigo Intrigante,
da Praga Latente
matando Gigante,
da Aids Inclemente
exterminando o Amante,
do Sexo Premente
com Vírus Inflamante,
Pós-Modernidade Doente
com Bactéria Voante,
Mundinho, o tal, de Narrador’Atuante,
redigo o já dito,
num tom mais bonito,
a tal Narradora
Urdidora
de Narrativa Implexora,
depois do pedido ao deus tutelar,
o Júpiter Troante
de Vozeirão Trilenar,
vozeirão imperante
na serra e no ar,
e da dedicatória com glória
ao Luís Exemplar,
o Luís Comandante
do Brasil Gran Gigante,
a História
Com Glória
da Dianna Valente,
Mulher Singular,
Notável Vidente,
a tal Narradora,
redigo, Assessora!,
retomou o cantar.

(trecho do capítulo VI):

"Pois um Brasil Glorificado,
a Diannazinha buscava
no tal Monte Adivinado,
para que o Futuro Assinalado
soubesse que o Brasil Adorado
per seu Povo Maltratado,
de Passado Malsinado,
de Povo Desautorizado,
acordou, bem renomado,
naquele incrível instante,
pois um Pré-Dito sem Calçado
tornara-se um Gran Gigante,
e que o Brasil Colonizado
até ao Vinte Perpassante,
já se via idolatrado
em Vera Terra Distante,
no princípio assinalado
de um Vinte e Um Importante,
o Terceiro Aquilatado,
desde o início pré-julgado
como Milênio Interessante,
e o Brasil Colonizado,
naquele instante’atuante,
se vendo Neo-Governado
por Mão Firme-Comandante,
Mão de Governo’Honrado,
por Deus-Pai abençoado,
por Ele muito estimado,
pois Pernambucano’Atilado,
Governanti’Ajuizado,
pelo Povão Adorado,
era já fato afirmado
no Ágora Fortificado
da Neo-Nação Verdejante.
E, agora, depois do excursado,
com muito parolão recriado,
de longe, a Terra avistada,
a tal Montanha Importante
de sua Terron’Adorada,
pertinho de Belo Horizonte,
Capital Mui Fascinante,
e, por companheiro de Estrada,
contava, a dita Vagante,
com o Toinzão, que ela amava,
o dito Neo-Heliosponte
Filho de Apollo Brilhante.

CAPÍTULO FINAL D’AS AVENTURAS PROSOPOPAICAS DE DIANNA VALENTE, escrito no início de 2009:

E o 2009 chegou, com muita alegria sana!,
e Deus-Pai abençoou o nosso Luís Tão Bacana,
e a esta narradora doou a História da Dianna,
uma Sacerdotisa Mui Sana,
ou Sacerdotisa Lunar,
a que, em 2007, sem grana!,
foi com o Toinzão a buscar
uma Aventura Gincana,
uma Aventura Sem-Par,
no Monte Santo da Serrana
Narradora Du Neo-Mar
(que confusão pós-montana!;
não se sabe se a Dianna
pertence à Serra ou ao Mar!),
filha de Antoizinho’Aquileu
e de Joanna Borromeu,
neta do Zeca Estelar
de Minas Gerais Aveziboõna,
o meu Estado Bacana,
a minha Raiz, o meu Lar,
Serra Muito Antigona,
do Alto Espetacular
de Carangola Timoneirana,
a Cidade Altiplana
da Zona da Matta Exemplar.

Mas, enquanto o Mundo sofria
uma recessão de assustar,
uma recessão que valia
muito mais ficar no ar,
causada per secrelia
de um Norte Sem Bem-Estar,
um Norte da vei-mania
de querer no Mundo mandar,
o nosso Brasil Tão Querido,
regido per o Neo-Ungido
pela Massa Popular,
desde o 2002 do Sumido
Anterior Governar,
daquele momento em diante,
do 2002 para a frente,
estava a se tornar Possante,
graças ao Neo-Presidente,
um Presidente Atuante
que, apesar de muita gente
dar-lhe bordoada constante,
bordoada maldizente
de brasileiro inconseqüente
que não quer perder a fonte
do ganhar muito imprudente,
do que não sabe plantar semente,
mas tira o pãozinho quente
de quem trabalhou incessante;
redigo: apesar da Maldizente,
o nosso Grande Presidente
já nos leva ao Patamar,
pois, a nossa Nação MultiGente,
o nosso Brasil Singular
já põe as Cartas na Frente
e vai ao Mundo Guiar,
o Mundo da Recessão Demente
produzida por Dirigente
que se dizia Solar,
e queria mandar na Gente
que não sabia lutar,
e apesar do Oponente
― que não aprecia o Governar
de nosso Luís Presidente,
e está sempre a criticar
o seu Mandato Exemplar,
e terá de se curvar continente,
a cumprir a lei ocorrente ―,
o Grande Luís Presidente,
neste 2009 Afolente,
está no Mundo a brilhar.”

Outros trechos serão destacados em futuras postagens.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

RIO DE JANEIRO, 23 DE SETEMBRO DE 2001: EPÍSTOLA AOS HOMENS DO FUTURO


EPÍSTOLAS AOS HOMENS DO FUTURO
NEUZA MACHADO


RIO DE JANEIRO, 23 DE SETEMBRO DE 2001

São 18 horas e trinta minutos de um Domingo Iluminado pelo Sol Hipercariocjônio no Brasil Varonil, em um 23 de setembro de 2001, apesar da ameaça de Guerra Mundial que paira no ar. Não sei se haverá a Terceira Guerra Mundial, só vocês saberão, quando esta cartinha aí chegar, no Futuro. Não obstante o Grande Sol que nos ilumina todos os dias, estamos com os nossos corações repletos de nuvens sombrias. O Mundo sofreu o seu pior abalo, desde a Guerra do Peloponeso (431 a.C.). Os americanos foram agredidos pelos terroristas invisíveis, no último dia 11 de setembro, e prometem agora uma revanche sem igual. As guerras da Antigüidade – cantadas em famosos versos épicos – passarão a ser insignificantes diante da hecatombe que se avizinha. Hecatombe, na Antigüidade, era uma palavra que significava “matança de cem bois”. Ainda não conheço uma palavra melhor para significar as carnificinas diárias que ocorrem no Planeta. Já não são cem bois sacrificados em louvor de um determinado deus dos antigos pagãos. Agora, são milhares e milhares de vidas humanas, inocentes que pagam pelas brigas, políticas ou religiosas, dos dirigentes do mundo. Mas, a despeito das ameaçadoras nuvens escuras, hoje o Carro de Apolo brilhou na Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro.

O Domingo iluminou-se, porque tive o privilégio de apreciar uma das mais belas Exposições da Arte do Século XX. Neste mês de Setembro, o Rio de Janeiro encarregou-se de hospedar uma boa parte das obras de grandes pintores e escultores do Surrealismo.

Retorno da visita com a inquebrantável certeza de que os ideais dos surrealistas de 1924 deveriam ser reativados. Abalados pela Primeira Guerra Mundial, pregavam a explosão do Continente interior, rejeitando os valores de uma civilização progressista e industrial. A Arte como instrumento de conhecimento de planos não-substanciais da realidade. A apreensão do insólito que se entremeia entre as camadas conceituais do pensamento formal. A invenção de uma escrita nova – juízos novos, como diria Gaston Bachelard – com o objetivo de rejeitar a grande prostituta, a razão. Os surrealistas, desconcertados, buscavam no interior das imagens desencontradas, díspares, o fio condutor que proporcionaria ao mundo uma nova ordem. Infelizmente, a desordem, provocada por ideologias desencontradas, continuou imperando no Planeta, ao longo do século XX, e, neste início do Terceiro Milênio, ameaça continuar com seus desmandos. As imagens insólitas, que deveriam ficar apenas no plano da arte, tornaram-se reais. Não há mais como separar realidade e imaginação.

Nesta constante necessidade – dos Intelectuais – de nomear novas estéticas, pergunto-lhes, Homens do Futuro: qual será o nome que vocês darão à sensibilidade artística de sua época vindoura? Nesta fase desconcertada de minha tumultuada realidade, os diversos segmentos da Arte, do meu Brasil Varonil e do Mundo Global, se rotulam PÓS-MODERNISTAS.

Enfim, são estas as notícias de hoje. Domingo que vem, enviar-lhes-ei outra Carta. Aguardem-me! Enquanto isto, o Mundo continua a girar em torno do Sol Apolíneo.

Por ora, sem mais o que relatar, envio-lhes o meu cordial abraço.

ODISSÉIA MARIA, filha de Antônio Aquileu e Jane Briseida, descendentes de Imortais Caçadores de Onças Pintadas e Jaguatiricas Noturnas de Minas Gerais, um mágico território situado na parte Leste do Brasil Varonil.


P. S.: Meus Caros Amigos, espero que, no Futuro, estejam lendo e apreciando a minha narrativa ODISSÉIA MARIA. Infelizmente, ainda, não consegui publicá-la. Saibam que, neste meu momento histórico, não é nada fácil publicar livros!