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sábado, 9 de outubro de 2010

ODISSÉIA MARIA DO FINAL COMPLICADO DO SÉCULO XX – 1998 / 1999

ODISSÉIA MARIA DO FINAL COMPLICADO DO SÉCULO XX – 1998 / 1999

NEUZA MACHADO

VIGÉSIMO SEPTIMO CANTO - 3


... mas quomodo ia contando,
viajo agora para São Gonçalo do Estado do Rio de Janeiro,
e hoje é 1o de Fevereiro de 1999,
a Lua Cheia vai brilhar à noite em Virgem Assanhada,
e flertará com os Astros do Céu Cor de Breu,
os que olham o céu apreciarão a beleza do Mundo Rotundo e do Mundo Profundo também;
são poucos os que olham o Céu Escurecido Com Poucas Estrelas Brilhantes
neste Final de Século XX Demente;
a vida de hoje é uma correria constante,
o dia é pequeno demais, meu Rapaz!,
as Horas Mágicas passam voando voando;
há pouco, passaram as Doze Horas do Dia Estafante,
voando garbosas com suas Asas Brilhantes,
acompanhando felizes a Carruagem do Sol de Apolo Cantante,
voando garbosas pra o Futuro Distante,
soltas, leves e livres no Espaço Dourado,
no Espaço Encantado DeMentes Brilhante,
a deusa charmosa do Grego Antigo Cantante;
há pouco, passaram as Doze Horas do Dia
em direção ao Infinito do Relógio Central do Brasil Varonil,
as Súditas Fiéis de Apolo Cantor
voando voando com o Tempo que passa que passa,
que passa sem princípio sem fim sem medida,
só para recordar-me dos versos do divo Bilac,
o divino Príncipe que da Terra se foi no Princípio do Século XX,
e agora festeja, com outros divinos que partiram da Terra,
o título invejável de Príncipe Cantor Sucessor do Apolo dos Gregos Antigos,
uma honra recebida em seus Annos de Vida na Terra;
há pouco, passaram as Doze Horas do Dia,
enquanto eu,
Odisséia Irinéia Maria,
atravessava de Brasileiro Ônibus Velho do Velho do Restello
a Ponte Praláde Brilhante do Futuro Distante,
pensando em Bilac e em outros divinos cantantes,
que hoje estão no Reino de Deus dos Cristãos,
comendo e bebendo no Banquete Eternal;
Apolo Pagão das Narrativas Antigas de Versos Hexâmetros,
grandiloquentes, troantes,
com ciúme e inveja
a olhar de longe, distante;
os outros deuses do Olimpo de Homero e de Hesíodo
ficam olhando também;
e os da Floresta dos Celtas;
e os deuses tutelares da Roma dos Césares;
os deuses pagãos estão olhando invejosos,
porque o Deus dos Hebreus e também dos Cristãos é o mais poderoso
neste Final de Século XX Sem Mel;
são poucos, no mundo actual, que alcançam tão Alta Honraria,
participar para sempre dos Banquetes do Céu,
ao lado dos Arcanjos, dos Anjos, dos Serafins e dos Querubins
e de toda Hierarquia Celestial Sem-Igual
que compõe o Exército de Deus Onipotente Silente;
Bilac, Alberto, Raimundo e o Cruz,
todos os Poetas do Final do Século XIX no Brasil Varonil
e do Século XX também,
aqueles Poetas formalizaram em poemas a Poesia Volátil,
e mostraram aos incréus a existência de um Plano de Luz
replecto de Imagens Desconhecidas e Magias Sem-Fim,
o Mundo Secreto do Amorfo Silêncio,
do Indizível Espaço Distante das Regras Actuais
e Imperativos Conceitos do Mundo Rotundo,
todos esses Assinalados se banqueteando no Céu Cor de Anil,
o Céu Cor de Anil do meu Brasil Varonil,
porque na Terra honraram seus nomes mortais, agora imortais;
mas, quomodo ia contando!,
as Incríveis Doze Horas do Dia passando passando,
voando felizes em direção ao Futuro Sem-Muro do Brasil Varonil,
a Carruagem do Sol brilhando brilhando,
brilhando lindamente no Infinito Azulado,
brilhando brilhando brilhando nos meus Sonhos Dourados;
Apolo Cantor correndo entre as Nuvens Moventes,
e o dia de hoje replecto de Luz,
os Endeusados Peixões Luzidios e as Sereias Faceiras,
moirenas do Rio Encantado seduzindo os pobrezinhos mortais,
as Sereias Faceiras da Baía Encantada brincando nas praias,
os Peixões Luzidios e as Sereias Moirenas seduzindo os mortais,
levando os fracos mortais à Loucura do Amor;
e Odisséia Maria, esta Vossa Criada,
viajando em direção ao trabalho estafante,
atravessando a Ponte Grandiosa do Futuro Distante,
a Ponte Intrigante DeMentes Brilhante,
óh! Ponte Famosa!,
uma das Maiores do Mundo,
construída com o sacrifício do Brasileiro Povo Sofrido,
um Povo dito Vagabundo no Mundo Rotundo,
mas que trabalha trabalha e trabalha,
e no fim de um mês qualquer
de um Final de Século XX Malfadado,
não tem dinheiro suado pra pagar os Impostos impostos;
desculpe-me o meu Contar Redundante,
óh!, Leitor do Futuro Brilhante Distante!,
os impostos são tantos,
neste Início de Anno de 1999,
que o Pobre Trabalhador do Brasil Varonil quase morre de fome;
neste Início de Anno de 1999,
o dinheiro que sobra não dá para nada, acredite!,
e é preciso comer, senão a morte virá com certeza,
e é preciso se vestir, andar pelado é proibido,
os tecidos de algodão estão custando os olhos da cara,
as costureiras matreiras cobram um dinheirão,
as roupas prontas das Lojas Americanas
e Outras Lojas Por Certo Estrangeiras
custam um dinheirão,
as Montras Lindonas Bonitonas da Cidade Encantada,
com seus nomes difíceis estrangeiros,
expõem as roupas da moda,
e o Pobre Coitado do Brasil Varonil não pode comprar,
não s’esqueça, Leitor!,
neste Anno Insano de 1999;
o Povão Brasilês
(neste início de 1999)
vai vivendo de teimoso que é,
se hoje não tem, amanhã deusdará,
deusdará a comida,
deusdará a roupa,
deusdará a esperança de viver com bonança,
deusdará a esperança para sobviver neste Horroroso Tenebroso Angustioso Caos;
o Caos Apocalíptico do Século XX Agonizante,
mas, mesmo assim,
as Horas Velozes do Tempo Infinito passam felizes voando voando voando,
e o Coração Sem Tamanho do Brasileiro da Cruz se enche de Luz,
o Pobrinho-Brasileiro do Final do Segundo Milênio espera que as coisas melhorem no Reino do Ão!...

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

ODISSÉIA MARIA DO FINAL COMPLICADO DO SÉCULO XX – 1998 / 1999

ODISSÉIA MARIA DO FINAL COMPLICADO DO SÉCULO XX – 1998 / 1999

NEUZA MACHADO

VIGÉSIMO SEPTIMO CANTO - 2


... existe ainda neste Final de Século XX,
1o de Fevereiro de1999,
um outro Bellíssimo Palácio Encantado
ornamentando e enriquecendo a Maravilhosa Incrível Cidade do Rio de Janeiro,
é o Palácio dito Presidencial;
o Rio de Janeiro,
em priscas eras,
foi a Capital do Brasil Varonil;
o dito Palácio
é o Palácio do Catete,
localizado no Bairro da Glória Triunfal;
esse Palácio do Catete tem umas águias sinistras
nos cantos sinistros do seu antigo telhado;
há outros bellos Palácios no Rio, Encantados,
quomodo, por exemplo, o Palácio do Itamarati,
também o do Museu da República,
ainda o Velho Palácio da Praça 15 de Novembro,
e mui outros da época em que os Reis de Portugal aportaram per acá,
incluindo os posteriores Palácios do Esplendor do Café;
no Século XXI existirão Palácios no Rio de Janeiro?, será?;
o Rio de Janeiro, neste Final de Século XX,
está a se transformar numa Imensa Favela Sem Água e Esgoto
e Sem Apoio Político Legal,
meu preocupado Leitor do Terceiro Milênio,
do Quarto,
do Quinto,
quem sabe?, do Sexto também;
talvez, Você só saberá que existiu a Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro Altaneiro
no Mundo Rotundo Sem Fundo,
Raimundo!,
por intermédio destas Palavras Aladas,
se estas Palavras Aladas chegarem a Você,
meu Amor!, meu Netinho!;
no Século XXI do Terceiro Milênio existirá a Ponte Rio-Niterói?, será?,
aquela construída com o sacrifício do Povo Dito Preguiçoso e Vagabundo
Sem o Soldo Necessário no Bolso do Casaco Surrado?, será?,
no Século XXI existirá a Cidade do Rio de Janeiro Encantado?, será?,
a Cidade Mais Bella do Brasil Varonil e do Mundo Rotundo Sem Fundo;
será que existirá o Mundo Rotundo, Raimundo?...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

ODISSÉIA MARIA DO FINAL COMPLICADO DO SÉCULO XX – 1998 / 1999

ODISSÉIA MARIA DO FINAL COMPLICADO DO SÉCULO XX – 1998 / 1999

NEUZA MACHADO

VIGÉSIMO SEPTIMO CANTO - 1


... mas, quomodo já lhe disse páginas atrás,
para o Governo do Rio de Janeiro,
neste Início de Anno de 1999,
o Povo Carioquês conta com o Menininho Mui Bonitinho,
esperando com fé que ele cumpra o muito prometido,
tudo o que ele prometeu na Campanha Eleitoral
para as Desinformadas e Malfadadas Eleições de Novembro de 1998;
entretanto, alguns políticos fazem promessas
e não cumprem nem a metade,
sempre prometem solucionar os problemas do Povo Sofrido;
depois de eleitos, não solucionam nada;
por enquanto, eu repito, por enquanto,
por enquanto, por enquanto, por enquanto,
no Menininho do Rio todos confiam,
ele é um Crente em Jesus, é religioso demais!,
e é um garotinho mui bonitinho,
ele vai cuidar do Rio Encantado com amor e carinho,
não esquecerá suas sinceras promessas não,
vai consertar o Rio de Janeiro,
eu vou esperar!, esperar! esperar! esperar!,
ele vai limpar as ruas da Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro;
limpar, por exemplo, o rio Maracanã na Tijuca,
tão sujinho! coitado!,
bem perto do meu Micro-Casulo de Seda Mineira,
moralizar o Desmoralizado Anterior Reinado,
tapar os buracos da Cidade do Rio,
melhorar o atendimento público nas Repartições Públicas do Rio de Janeiro,
cuidar dos Hospitais Abandonados,
cuidar da saúde do Povo Sofredor,
neste Início de 1999
(não s’esqueça jamais das Datas Legais!, meu Rapaz!),
matar a Fome dos Miseráveis Fluminenses,
solucionar os problemas do Pobre Trabalhador Carioquês-Brasileiro Sem Eira Nem Beira e sem dinheiro no bolso do casaco surrado,
pois os Pobres daqui,
desde Meados do Século XX
vão vivendo quomodo Deus quer, como, quomo Você quiser!,
mesmo que alguns Riquinhos digam o contrário,
neste Início de Anno de 1999,
que está tudo bão no Reino do Ão,
os Pobres daqui vão vivendo quomo Deus quer;
quomo, como, quomodo Você quiser!,
se hoje não tem, amanhã deusdará;
mas o Menininho é o Actual Eleito Governador;
aquele, o que diz “está tudo bão!”,
neste Anno Azarado do Final do Segundo Milênio Encrencão,
não votou no Menininho Bonzinho não,
não faz parte da Oposição ao Mal Sem Razão, não Senhor!,
é partidário do grupo da Enrolação;
o Menininho, por enquanto, por ora,
se ele no Futuro do Século XXI não virar a Casaca,
repito, por ora,
é uma pedra no caminho da situação,
neste Início de Anno de 1999,
por isso, para ele, até então,
não estava nada bão, meu Irmão;
o Povão Sem Tostão, por ora, e por agora,
confia no Menininho Mui Bonitinho,
ele é um Crente em Jesus e cumprirá o prometido,
neste Início de 1999 até o Final do seu Mandato Esperado Sensato,
cuidará dos Horrorosos Problemas do Povo Sofrido;
mas ele, Coitado!,
carrega um Grande Fardo,
mora num Palácio Praláde Encantado,
mora em um Grande Palácio Bem-Assombrado,
mora no Palácio do Governador,
no Bairro das Lindas Laranjeiras em Flor,
das Verdes Laranjeiras Gigantes do Imperador;
naquele Bairro Assinalado, no passado,
ali, havia muitas gigantescas laranjeiras em flor,
depois as ditas premiavam as crianças com saborosas laranjas-da-terra;
ele mora no Palácio das Laranjeiras em Flor,
de Florezinhas Branquinhas Branquinhas,
pra lá de Branquinhas...