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sábado, 31 de julho de 2010

XI - MEMÓRIAS DE CIRCE IRINÉIA: A VINGANÇA DOS OPRIMIDOS ESCRAVOS

XI - MEMÓRIAS DE CIRCE IRINÉIA: A VINGANÇA DOS OPRIMIDOS ESCRAVOS

NEUZA MACHADO

O BisAvô Português de Antoinzinho Papai, com muita certa convicção! um Novo-Cristão!, amava exageradamente a BisAvó Cor de Mel. No entanto, apesar do grande amor pela esposa mestiça, o BisAvô de meu Pai era dono de muitos escravos, e era também um amo muito rude. Os escravos o abominavam, e não entendiam o fato desse amo ser tão mau, uma vez que sua esposa e filhos eram mestiços. E assim, repletos de profundo e duradoiro rancor pelo Senhor que os oprimia, armaram contra ele uma vingança terrível.

Em uma certa manhã, duas escravas, consideradas feiticeiras, foram ao mato colher ervas, depois foram para o galinheiro e recolheram penas de galinha, e, enquanto isso, uma dizia para outra: “― Nosso Sinhô, daqui a pouco, vai para a Cidade de Divino do Carangola com as pernas dele, mas não vai voltar sobre elas”. Dito e feito: o Sinhô, meu TrisAvô João Pereira da Cunha, saiu para a Cidade de Divino do Carangola com as pernas dele, vivo, e, ao voltar para casa, caiu do cavalo, já no estertor da morte, na soleira da porta de sua Fazenda. O João Barba de Argolão havia sido envenenado pelas escravas, deixando a Fazenda nas mãos da esposa, Sinhá Antoninha Mulata, e do Filho mais velho, também mulato. Isto aconteceu em meados do século XIX.

Penso, hoje, neste Final de Século XX, que as escravas “feiticeiras”, conforme ficaram conhecidas posteriormente, apenas envenenaram a matolotagem do BisAvô Português de meu Pai Antoinzinho Aquileu. Com certeza, ele parou, no trajeto do retorno para a Fazenda, para almoçar a mistura de carne seca com farinha de mandioca, preparada pelas escravas, e, não percebeu a armadilha. Certamente (estou a imaginar!), ele cavalgou (os últimos quilômetros da volta), coitado!, passando mal. Nem teve tempo de pedir perdão a Deus pelos grandiosos pecados (seculares) que foram cometidos por ele ao longo de sua vida.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

X - MEMÓRIAS DE CIRCE IRINÉIA: A BISAVÓ COR DE MEL

X - MEMÓRIAS DE CIRCE IRINÉIA: A BISAVÓ COR DE MEL

NEUZA MACHADO

A BisAvó Antoninha de meu Pai, uma bela mestiça, enriqueceu os Anais da Família Pereira da Cunha. Sobre essa BisAvó de Antoinzinho Aquileu, há várias histórias que, se não são verdadeiras, pelo menos se encaixam perfeitamente no espaço das probabilidades existenciais.

De acordo com os Anais Orais Familiares (via Antoinzinho Aquileu, naturalmente!), a BisAvó de meu Pai (nascida da relação extraconjugal de um grande Senhor Português, de lídima descendência, com uma escrava, mestiça de negro, índio e português) era a esposa legítima do meu TrisAvô paterno, Português, o BisAvô (de meu Pai) João Pereira da Cunha, em que o sobrenome Pereira denunciava (denuncia) origens judaicas.

Então, repetindo, só para Você não se esquecer: BisaVó Antoninha Pereira era uma mestiça em cujas veias, além dos sangues português e africano, corria também o sangue indígena.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

IX - MEMÓRIAS DE CIRCE IRINÉIA: O SANGUE ÍNDIO POR PARTE DE JANE MAMÃE

IX - MEMÓRIAS DE CIRCE IRINÉIA: O SANGUE ÍNDIO POR PARTE DE JANE MAMÃE

NEUZA MACHADO

Da parte Materna, cresci a ouvir Minha Mãe Jane Briseides Mamãe falar de uma TetrAvó Índia-Puri capturada a laço pelo TetrAvô Português. Segundo Minha Mãe Jane de Ogiges Briseides, existiu na Família dela uma Índia da Tribo dos Puris, índios que viviam na região costeira do Brasil, que se estende do Estado do Rio ao Espírito Santo. Lembro-me de Minha Mãe dizendo que uma sua BisAvó era Puri (a neta da que foi laçada) e eu, já naquela época uma menininha convencida, rindo às bandeiras despregadas, a dizer para minha Mãe que aquilo não era coisa para se espalhar, que era uma grande vergonha ser descendente dos Puris, e que eu tinha lido em uma Enciclopédia que eles eram odiados pelos outros índios mais dignos, e que os Puris, “Mãe!”, a Enciclopédia dizia, eram conhecidos como os “ladrões que vinham do mar”, e que eles roubavam as tribos do interior do Brasil Varonil. “Não, Mãe!, descendente dos Puris, jamais! Eles saíam da costa marítima, Mãe!, para roubar os pobrezinhos indiozinhos que moravam dentro da Floresta do Brasil, Mãe! A senhora está enganada, Mãe!, somos descendentes de uma índia da tribo tupi-guarani. O TetrAvô, Mãe!, roubou foi uma índia tupi-guarani, Mãe! Eu quero ser descendente dos Tupis-Guaranis, Mãe!..”. Mamãe, plenamente camponesa (terrivelmente brava!), ficava com muita raiva de mim e da minha precoce sapiência, e, não raro, punha-se a me bater seguidamente, varadas e mais varadas!, como se, com isso, conseguisse aplacar a sua rejeição, aversão e humilhação em relação a mim (quanta rima!!!), um fruto de suas entranhas, que só lhe causava dissabores: “Venha cá, sua malcriada!, sua danada!, sua saliente!, indecente!, tome e tome e tome!, p’ra deixar de ser linguaruda! Não fique aí desprezando sua TetrAvó Puri!, não senhora! Pare com esta história de que os Puris eram “ladrões que vinham do mar”! E tome e tome e tome!..”. E as varadas de guaxima dançavam soltas em minha bunda.

As marcas permanecem vívidas e doloridas, até hoje!, em minhas recordações! Nesses momentos de dolorosos castigos, Papai Antoinzim Aquileu vinha em meu socorro, defendendo aquela que, entre seus frutos masculinos, era a única menininha, a preferida, a amada, a queridinha (“― Não bate na Menina!). Ah!, a braveza de Jane Mamãe! Mesmo com a defesa de Antoinzinho Papai, as varadas de Jane Mamãe não conheciam limites, e eu apanhava, apanhava, apanhava, e o meu infantil sentimento de rejeição crescia, crescia, crescia...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

VIII - MEMÓRIAS DE CIRCE IRINÉIA: RECRIANDO UMA GENEALOGIA POSSIVELMENTE VERDADEIRA

VIII - MEMÓRIAS DE CIRCE IRINÉIA: RECRIANDO UMA GENEALOGIA POSSIVELMENTE VERDADEIRA

NEUZA MACHADO

Minha TrisAvó Mestiça, pelo lado Paterno, a Antoninha Pereira, era Descendente de Negros, oriundos da Costa Oeste da África, e de Índios-Puris (pelo lado materno), e de Brancos-Portugueses (pelo lado paterno). Ela era a Mãe do Papai de Minha Avó Paterna (Minha Avó Tuninha: Uma Segunda Antoninha Pereira). O Pai de Minha Avó Tuninha era Senhor de Escravos (e era descendente de escravos, veja Você!)), o Joaquim Pereira da Cunha, Filho do João Pereira da Cunha, Vulgo “Barba de Argolão” (porque o Dito João Pereira usava a barba nesse formato).

Minha Avó, a Mãe de Antoinzinho Papai, chamava-se Antoninha Pereira de Jesus. O “de Jesus” pertencia à Mãe de Minha Avó, uma mulher linda, de olhos azuis, casada com o Fazendeiro Joaquim Pereira da Cunha, o Dito Mulato Senhor de Escravos, o Primogênito de Minha TrisAvó Mestiça. O SobreNome Materno, naquela época, vinha em último lugar e o do Pai, em primeiro lugar.

Do Sangue Índio do Papai de Papai (já me referindo ao outro lado de minha Família paterna), o Zéca de Sousa, um antigo morador do Arraial do Choro Sentido ― hoje, conhecido pelo nome de Santo Antônio do Arrozal ―, não sei de nenhum sobrenome, pero que los hay, hay!

terça-feira, 27 de julho de 2010

VII - MEMÓRIAS DE CIRCE IRINÉIA: MINHAS MISTURAS GENÉTICAS

VII - MEMÓRIAS DE CIRCE IRINÉIA: MINHAS MISTURAS GENÉTICAS

NEUZA MACHADO

Tenho Acá, Certamente!, As Minhas Misturas Genéticas. Qual o Brasileiro que não as tem? Assim, os Diversos SobreNomes delatam que, além do Sangue Português, corre em Minhas Veias o Sangue Negro-Africano, o Índio-Puri, o Espanhol-Castelhano da Puerta Del-Sol, o Francês-Bretano e o Italiano-Romano.

Alguns SobreNomes ligados aos Novos Cristãos da Península Ibérica, de Trezentos Anos Atrás, são lembrados também como somatórios aos Inúmeros Mineiros Ramos Familiares que compõem a Minha Mineira e Importante e Particular Rede Familiar. EnFim, Todos os Meus SobreNomes Afins são respeitosamente idolatrados por mim.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

VI - MEMÓRIAS DE CIRCE IRINÉIA: ILUSTRES SOBRENOMES MINEIROS

VI - MEMÓRIAS DE CIRCE IRINÉIA: ILUSTRES SOBRENOMES MINEIROS

NEUZA MACHADO

Saiba, Você!, Meu Trisavô Português, o João Pereira da Cunha, Vulgo João Barba de Argolão, pelo lado paterno, casado com uma mestiça alforriada, muito linda!, a Trisavó Antoninha (era casado mesmo!), era um conhecido de D. João VI, o Príncipe Regente da Coroa Portuguesa (assim está registrado no Anais Orais da Família). Por esse lado paterno, além do “Pereira da Cunha”, coleciono aleatoriamente Muitos Outros Mineiros SobreNomes Notáveis. TamBém, pelo lado materno, Valerosos SobreNomes da Tradicional Família Mineira se destacaram.

Lembro-me de Mamãe se referindo a uma Rua de Minha Cidade Natal — em Minas Gerais —, assinalada com um de nossos iluuuuuustres sobrenomes, afirmando que ali viveu uma grande parte de sua gloriosa família. Mamãe, muito pomposa!, cheia de si!, costumava dizer: “ — Antes desta Rua dos Romanos existir, aqui era a Grande Fazenda da Velha Romana, Tia-Avó de Meu Pai, Emiliano (Emilianno de Brises, pai de minha Mãe Jane Briseides, oriundo do Brises Homérico) Martins Sant’Anna. A Velha Romana era muito rica, mas os herdeiros não souberam conservar a riqueza da família. Assim, afirmava Mamãe! Si vero...

O Emiliano de Brises era o meu Avô Materno, e era também um Grande DesBravador de Mattas Virgens, além de se ter revelado, para a Posteridade Familiar, um Grande Caçador de Onças Pintadas, Jaguatiricas Noturnas e Gatas do Mato.

(Infelizmente, não posso provar o meu tal parentesco com a Velha Romana, apesar da afirmação de Minha Mãe, a Jane de Ogiges Briseides Mamãe. Antigamente, não existia o dever de registrar nascimentos e bens de família).

domingo, 25 de julho de 2010

V - MEMÓRIAS DE CIRCE IRINÉIA: UMA DESCENDENTE DE MINEIROS SOBRENOMES NOTÁVEIS...

V - MEMÓRIAS DE CIRCE IRINÉIA: UMA DESCENDENTE DE MINEIROS SOBRENOMES NOTÁVEIS...

NEUZA MACHADO

Já informei-Lhe: Sou descendente de mineiros sobrenomes notáveis. Ora, veja Você!, mesmo com tantos sobrenomes ilustres, nasci três tostões!, agasalhada numa peleja rala, que Deus me livre! Apesar da peleja rala inicial, reafirmo-lhe, setecentas e setenta e sete vezes sete, em função da Pura Verdade Exemplar, que os meus troncos familiares são nobres, aristocráticos, da Velha Estirpe das Minas Gerais. Sou proprietária de sobrenomes muuuuuuito famosos, reconhecidos e sacralizados, principalmente, sobrenomes portugueses. Não os assino, é bem verdade!, no entanto, tenho direito a eles.

Infelizmente, Meu Internauta-Leitor!, Meu Ouvinte!, Meu Amor!, agora, aqui Neste Agorá do Final de Século XX e Neste Final de Milênio, é muito tarde para reivindicar o direito de AsSinar SobreNomes Ilustres.

sábado, 24 de julho de 2010

IV - MEMÓRIAS DE CIRCE IRINÉIA: NO INÍCIO DO SÉCULO XX, ERA UMA VEZ...

IV - MEMÓRIAS DE CIRCE IRINÉIA: NO INÍCIO DO SÉCULO XX, ERA UMA VEZ...

NEUZA MACHADO

Era Uma Vez U’a Menininha Magrelinha, Engraçadinha, Alegrezinha, Que Nasceu Em Uma Região De Puro Encantamento...

Vim ao mundo, há muitos annos ― no Início do Século XX ― certa de que iria viver uma vidinha de luxo acá no País da Primavera Eterna, uma vez que imagino ser Descendente da Alta Aristocracia do Brasil Agrário. No entanto, apesar dos Inúmeros Nomes e SobreNomes oriundos da Tradicional Família Mineira (eu os possuo!, pode acreditar!), nasci Três Tostões e, até hoje (centenária que sou!, Final do Século XX; não SI esqueça!), Brigo e Luto Para Tornar-MI Seiscentos Tilhões de Reais.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

III - MEMÓRIAS DE CIRCE IRINÉIA: NO FINAL DO SÉCULO XX, PENSAR É PURO PRIVILÉGIO...

III - MEMÓRIAS DE CIRCE IRINÉIA: NO FINAL DO SÉCULO XX, PENSAR É PURO PRIVILÉGIO...

NEUZA MACHADO

Convenhamos que, Nestes Annos Finais do Século XX e do Segundo Milênio em que todos pensam com a cabeça alheia, é um privilégio pensar com a Própria. (Não se esqueça, Meu Leitor do Futuro, estou a referir-me ao Caótico Final do Século XX). Quanto ao Meu Poder de Pensar ― de acordo com o que já lhe disse anteriormente ― penso, por exemplo, no quanto é difícil raciocinar por conta própria e, ao mesmo tempo, ir vivendo Neste Mundinho Massificado do Final do Século XX. Às Vezes Penso: por que a Ilustração não deu certo? Por que o Ato de Pensar (Neste Final de Século XX) não se encontra no Âmbito da Liberdade, mas sim, da Perseguição? Se intenciono pensar por mim mesma, Neste Final de Século XX, estou vivendo perigosamente. Você me compreende, não é? Mesmo que Camuflada, ainda existe Inquisição em Meu Planeta Terra. Estamos submetidos àquela Velha História de Sempre: “Abaixo os Pensantes! Viva a Ignorância! Et Cœtera, Etc.” Mas, porque não tenho Outra Verdade Para Narrar-Lhe, Neste Final de Século XX de Inúmeras Incertezas Políticas e Sociais, Pensei em Contar-Lhe a Verdade da Minha Vida.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

II - MEMÓRIAS DE CIRCE IRINÉIA: NO FINAL DO SÉCULO XX, A PENSAR...

II - MEMÓRIAS DE CIRCE IRINÉIA: NO FINAL DO SÉCULO XX, A PENSAR...

NEUZA MACHADO

Nasci há muuuuuuito Tempo!, Tempo este que se perde nos desvãos da memória. Já perdi a conta de meus annos de vida. Saiba Você que sou uma Mulher Centenária de muita fibra; sou firme, forte e resistente como as Montanhas de Minha Terra Natal. Sou tão resistente, mas tããão resistente às regras hipócritas criadas pelo homem deste Mundo Rotundo, que vim parar neste Planeta com a plena consciência de que, aqui, tudo teria de ser muito agradável para mim, e, se assim não o fosse, eu faria uma revolução perene para que assim se tornasse. Estou conseguindo meu intento, Meu Rapaz!, através de duras penas, é verdade!, mas estou!

Por que digo isto a Você? Simplesmente porque, por exemplo (e coloque exemplo aí!), detesto alguns políticos mal-intencionados do meu País, e de qualquer Outro País (alguns políticos deste Final de Século XX, bem entendido!), mas, ao mesmo tempo, choro copiosamente quando algum deles, por qualquer motivo, se vai desta para melhor ou pior.

Ah, Meu Amigo!, Neste Final de Século XX (Final de Século XX, lembre-se sempre, por favor!), passei a ter horror ao Poder Secular (privilégios somente para os Abastados) e a amar a Idéia de ReNovação da Condução Política Actual!

Mas retomando a questão do Poder, o Poder do Raciocínio Intelectual se colou em mim desde que me entendi por gente. Percebi que vim a este Mundo para adquirir Poder Imensurável. Um Poder meio às avessas, é bem verdade!, porque não manda em ninguém, mas não deixa de ser Poder. Ora, veja Você!, eu possuo o Poder de Pensar! E, mais notável ainda!, em função de minha longa vivência (sou centenária!), Sei Pensar Com a Minha Própria Cabeça.

Convenhamos que, Nestes Annos Finais do Segundo Milênio, e Nesta Era do Governo do Fernando Sociólogo em que todos pensam com a cabeça alheia, é um privilégio pensar com a Própria. (Não se esqueça, Meu Leitor do Futuro, estou a referir-me ao Caótico Final do Século XX).